Alckmin diz que governo tenta convencer EUA sobre tarifaço, mas lamenta ‘maus brasileiros’
Em entrevista à CNN Brasil, vice-presidente classificou a nova sobretaxa de 25% contra os produtos brasileiros como 'injusta'

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou, nesta quarta-feira (1º), que o governo tenta convencer os Estados Unidos a não aplicarem uma nova sobretaxa de 25% sobre os produtos brasileiros. Em entrevista à CNN Brasil, ele classificou o “tarifaço” como injusto e voltou a destacar o superávit dos americanos na balança comercial, e lamentou que “maus brasileiros” estariam agindo contra os interesses do país, sem citar envolvidos.
“Não é justa essa alíquota de 25% que está sendo proposta ao Brasil, porque a nossa alíquota média para os produtos que entram no país vindos dos EUA é de 3,7%. Dos 10 produtos que mais exportam, oito a alíquota é zero, não pagam nada. Vamos argumentar mostrando que nossa tarifa é baixa, que o tarifaço não é justo. Para que ele não seja implantado no dia 15 de julho vamos usar todos os meios para convencê-los”, declarou Alckmin.
As tarifas de 25% foram propostas pelo escritório de representação comercial dos EUA (USTR) após uma investigação sobre o comércio com o Brasil. Os americanos usam uma série de políticas brasileiras, que seriam consideradas injustas, para justificar o tarifaço. Entre os motivos estariam o uso do Pix, dificuldades de acesso ao mercado de etanol e falhas na proteção da propriedade intelectual.
Questionado sobre o que o Brasil estaria disposto a negociar com os EUA, Alckmin defendeu os interesses estratégicos do país. Sobre a inclusão de reservas de terras raras e minerais estratégicos, o vice-presidente afirmou que o país quer usar a posição de segunda maior reserva do mundo para agregar valor à indústria, ao invés de apenas exportar commodity.
Geraldo Alckmin ainda defendeu as decisões do país sobre as Big Techs, em especial as redes sociais, e destacou que o governo quer negociar uma sobretaxa do açúcar brasileiro para incluir o etanol nas discussões com os EUA.
“Nós não vamos politizar uma questão que é a relação comercial, centenária que temos com os EUA. A condução tem sido técnica pelo Ministério das Relações Exteriores e pelo Ministério da Indústria. Agora, lamento muito que tivemos maus brasileiros agindo contra o país nos EUA. Isso prejudica a exportação brasileira”, completou.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



