Dólar cai para menos de R$ 5,10, no menor patamar em dois anos
Perspectiva de paz no Oriente Médio favorece ativos de risco; barril de petróleo opera em forte queda

O dólar opera em forte queda frente ao real nesta quarta-feira (8) com a perspectiva de melhora nos riscos com o cessar-fogo entre Estados Unidos, Israel e Irã. Por volta de 13h, a moeda norte-americana tinha uma desvalorização de 1,25%, cotada a R$ 5,0890, patamar que foi visto pela última vez em março de 2024.
A perspectiva de paz na região, sob conflito intenso desde o final de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram a capital Teerã, favorece os ativos de risco de maneira geral. O cessar-fogo deve favorecer o mercado do petróleo com a reabertura do estreito de Ormuz, rota por onde passa 20% da produção global da commodity.
O barril do petróleo do tipo Brent, referência do mercado internacional e que já superou os US$110 durante o conflito, opera em forte queda nesta quarta-feira (8) de 13,75%, a US$ 94,19. Segundo o analista de mercado da StoneX, Leonardo Rossetti, a queda da commodity reflete um alívio dos prêmios de risco.
“O alívio das tensões e preocupações inflacionárias, decorrente do conflito e bloqueio do estreito de Ormuz, contribui para a retomada do apetite por risco dos investidores, favorecendo ativos considerados mais arriscados, como o real”, explicou.
Ata do FOMC
Pela tarde, os investidores devem ficar atentos à ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto do Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos. No mês passado o colegiado manteve a taxa de juros americana no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano, contribuindo para a valorização do real.
Como os Estados Unidos são a economia mais estável do mundo, seu mercado trabalha como se alimentasse outras economias com o seu dinheiro. Uma taxa de juros alta nos EUA torna os títulos do tesouro americano o melhor investimento, por terem praticamente risco zero. Isso faz com que os investidores retirem dinheiro do Brasil e apliquem no exterior.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



