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Banco Central dos EUA mantém juros inalterados com incerteza da guerra

Comunicado cita 'acontecimentos' no Oriente Médio como sinal de atenção para a economia norte-americana

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Federal Reserve manteve juros entre 3,5% e 3,75% • Official Federal Reserve Photo

O Federal Reserve (Fed), Banco Central dos Estados Unidos, decidiu manter a taxa básica de juros inalterada na reunião desta quarta-feira (18), repetindo a decisão de janeiro na política monetária. Em comunicado, os diretores informaram que a taxa permanece no intervalo entre 3,5% e 3,75%, contrariando o desejo do presidente Donald Trump por cortes agressivos.

Segundo o Comitê Federal de Mercado Aberto do Fed (FOMC, na sigla em inglês), os indicadores sugerem que a atividade econômica avança em um “ritmo sólido”, mas a criação de empregos permanece baixa e a inflação elevada a 2,8%. A meta perseguida pela autoridade monetária norte-americana é de um índice de preços a 2,0%, com o máximo nível de emprego possível.

O comunicado ainda citou as implicações da guerra no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada no fim de fevereiro com um bombardeio em Teerã. De acordo com o Fed, o conflito eleva as incertezas para a economia dos EUA. “O Comitê está atento aos riscos para ambos os lados de seu duplo mandato”, disse.

“Ao considerar a extensão e o momento de ajustes adicionais à meta para a taxa de juros dos fundos federais, o Comitê avaliará cuidadosamente os dados recebidos, a evolução das perspectivas e o equilíbrio de riscos. O Comitê está firmemente comprometido em apoiar o pleno emprego e em retornar a inflação à sua meta de 2%”, emendou.

O comitê ainda destacou que pode ajustar a política monetária caso surjam novos riscos, avaliando informações que incluem dados sobre o mercado de trabalho, pressões inflacionárias e o desenvolvimento de eventos internacionais.

Segundo o economista sênior do Banco Inter, André Valério, a decisão era amplamente esperada e não houve novidades no comunicado. Para ele, o comitê continua enxergando a economia crescendo em ritmo robusto, enquanto a inflação permanece acima da meta.

“A reunião de hoje já ocorreu defasada, devido à incerteza causada pela guerra. Como esperado, não há nenhuma novidade relevante no comunicado ou nas projeções, muito em parte porque o Fed ainda não tem expectativa sobre os impactos na economia americana”, explicou.

Por que os juros nos EUA importam?

Como os Estados Unidos são a economia mais estável do mundo, seu mercado trabalha como se alimentasse outras economias com o seu dinheiro. Uma taxa de juros alta nos EUA torna os títulos do tesouro americano o melhor investimento, por terem praticamente risco zero. Isso faz com que os investidores retirem dinheiro do Brasil e apliquem no exterior.

Ainda de acordo com André Valério, esse diferencial nos juros é um dos principais determinantes da taxa de câmbio. “Atualmente, temos um diferencial elevadíssimo. Quanto maior essa diferença, menor pressão de depreciação cambial nós temos. E isso é importante pois um câmbio depreciado tende a gerar repasse inflacionário, aumentando os preços dos bens em reais”, disse.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.