Marlene Barros ocupa o CCBB BH com arte têxtil que denuncia a invisibilidade feminina

Com abertura estratégica no Mês da Mulher, exposição ‘Tecitura do Feminino’ utiliza bordado, crochê e escultura para questionar padrões de beleza impostos às mulheres

“Caixa Preta 1"

O que antes era restrito ao silêncio do espaço doméstico agora ganha voz e escala monumental nas galerias do térreo do CCBB BH. Abre nesta quarta-feira (4) a exposição “Marlene Barros: tecitura do feminino”, uma mostra que subverte o artesanato tradicional para transformá-lo em uma narrativa política e poética.

A artista maranhense Marlene Barros, com mais de 40 anos de carreira, traz para a capital mineira 13 obras que são, em suas palavras, “instrumentos de denúncia”. A linha e a agulha não servem apenas para adornar, mas para remendar fissuras do tempo e expor a coisificação do corpo da mulher.

A pesquisa que deu origem à mostra começou em Portugal, quando Marlene decidiu “costurar” uma casa em ruínas. A partir dali, a casa tornou-se metáfora do corpo feminino: algo que abriga, que sofre o desgaste do tempo e que muitas vezes precisa de reparo.

Entre as obras que prometem impactar os visitantes estão:

  • “Eu tenho a tua cara": uma instalação com 49 rostos que questiona a construção da individualidade.
  • “Quem pariu, que embale": uma crítica direta à sobrecarga materna e ao cuidado transformado em “dever moral” exclusivo da mulher.
  • “Coso porque está roto": um casaco que exibe o interior do corpo humano bordado, unindo o biológico ao sentimental.

Arte como reparação social

Para Marlene, a arte contemporânea tem o dever de romper a indiferença frente à violência de gênero. “A arte cria espaços de escuta onde feridas sociais podem ser expostas e simbolicamente reparadas”, afirma a artista.

A exposição também oferece um caráter educativo forte. Além de um ateliê aberto onde o público pode bordar espontaneamente, haverá a oficina “Arpilleras de si”, coordenada pela psicóloga Maria Vasconcelos, que utiliza o bordado como ferramenta de elaboração para mulheres com histórico de violência.

Programação de abertura (Mês da Mulher):

  • 07/03 (Sábado): Visita mediada com a artista e a curadora Betânia Pinheiro (15h às 17h).
  • 08/03 (Domingo - Dia da Mulher): Palestra “Tecitura do Feminino: Processos” (16h).

Confira!

Marlene Barros: tecitura do feminino

  • Local: CCBB BH (Praça da Liberdade, 450)
  • Data: 4 de março a 1º de junho de 2026
  • Horário: quarta a segunda, das 10h às 22h
  • Entrada: gratuita (retirada no site ccbb.com.br/bh ou na bilheteria)
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Giovanna Damião é jornalista da televisão, digital e do rádio. Desde 2020 como social media e redatora na televisão e, mais recentemente, atuando como apresentadora e repórter da editoria de cultura. Com versatilidade no jornalismo, caminha pela música, eventos, esportes e entretenimento.

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