Itatiaia

Valdir Barbosa: alimentos mais caros vêm das guerra, El Niño, juros e falta de apoio do governo

Produtores terão custos recordes para produzir e margem de lucro apertada, por isso quem errar pode ter grandes prejuízos

Por
Imagem meramente ilustrativa • Pixabay/Reprodução

Boa tarde!!

Os produtores rurais já têm como certa a safra agrícola que está começando e termina em junho do ano que vem, como a mais cara da história na agropecuária brasileira.

As margens de lucro também serão menores por causa do alto custo da produção que podem ser somados aos riscos do fenômeno El Niño que ameaça várias regiões produtoras e já mostrando tornados, enchentes e alterações na temperatura do Rio Grande do Sul, subindo com menos intensidade para Santa Catarina e Paraná.

Os juros elevados e o seguro rural que até agora não foi apresentado pelo governo federal, e não há expectativa muito grande com relação a isso, podem inclusive reduzir a área plantada no Brasil.

E o consumidor que nos ouve nesse momento pode esperar que na soma total dos fatos negativos que houver, a divisão dos prejuízos vai cair nos preços dos alimentos.

O governo está tão ciente dos impactos que poderão vir com o El Niño, que já autorizou a dragagem da região portuária do Rio Tapajós, que leva pelos navios boa parte da soja e do milho brasileiro que são exportados pelo arco norte do país.

Os efeitos climáticos trouxeram aumento do cacau, café e soja no mercado internacional e para o Brasil também.

Aproveitando alguns dados do colunista Mauro Zafalon, da Folha de São Paulo, podemos dizer que a União Europeia já tem números importantes sobre a redução do volume de grãos colhidos até o momento. O trigo teve queda de 21% na colheita desse ano em algumas regiões. As outras culturas têm quebra estimada em 4%.

Falamos da colheita de inverno e está começando agora a safra agrícola do verão europeu. Milho e Girassol terão safra menor entre 6 e 7%. Itália, Hungria e França terão a maior quebra do milho variando entre 11% e 22%

Os 27 países da União Europeia vão produzir 25 milhões de toneladas menos de grãos nessa safra. Agora atenção para o comparativo que vou fazer!

A União Europeia vai produzir 266 milhões de toneladas de grãos esse ano, contra 360 milhões de toneladas do Brasil, 94 milhões de toneladas a mais que a União Europeia. Previsão da Conab - Companhia Nacional de Abastecimento -

Agora, se colocarmos as produções da Rússia, Ucrânia, Reino Unido, Suécia, Dinamarca, Finlândia, Turquia e outros países, a Europa total com 45 países, segundo a ONU, consegue superar o Brasil com 384 milhões de toneladas colhidas em 2025, 24 milhões de toneladas a mais que o Brasil, uma diferença pequena se levarmos em consideração as dimensões territoriais.

Por isso é que podemos dizer que o Brasil é o supermercado de alimentos do mundo.

Itatiaia Agro
Valdir Barbosa

Por

Produtor rural no município de Bambuí, em Minas Gerais, foi repórter esportivo por 18 anos na Itatiaia e, por 17 anos, atuou como Diretor de Comunicação e Gerente de Futebol no Cruzeiro Esporte Clube. Escreve diariamente sobre agronegócio e economia no campo.

 

 

Belo Horizonte