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Embrapa lança guia com orientações para cultivo de abacaxi no Amazonas

Publicação reúne recomendações de manejo e destaca potencial de variedades tradicionais da cultura no estado.

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Diversos abacaxis maduros organizados sobre uma mesa, prontos para comercialização ou processamento.
Nova publicação da Embrapa reúne orientações sobre manejo, produção e comercialização do abacaxi no Amazonas. • Divulgação / Embrapa

A edição 2026 do “Sistema de Produção de Abacaxi para o Estado do Amazonas”, voltada a produtores rurais, agricultores familiares e extensionistas, já está disponível no portal da Embrapa. O documento reúne recomendações para o manejo da cultura, desde as exigências climáticas e a adubação do solo até o controle de pragas e doenças, a colheita, a pós-colheita, os coeficientes econômicos e a comercialização.

O território do Amazonas integra o centro de origem e diversidade genética do gênero Ananas, abrigando variedades tradicionais locais, também conhecidas como crioulas, que são cultivadas em pequena escala. Entre essas variedades, se encontra o abacaxizeiro “Turiaçu Amazonas”, cultivado no município de Itacoatiara, que é resultado da seleção realizada por produtores locais ao longo do tempo. A cultivar foi registrada pela associação de produtores da região de Novo Remanso junto ao Registro Nacional de Cultivares (RNC), sob o nº 57.085, em agosto de 2024.

"O sistema de produção foi estruturado a partir da avaliação agronômica da cultivar em áreas experimentais e comerciais de Itacoatiara (Novo Remanso e Vila do Engenho) e Manaus (São Francisco de Caramuri), com base no Relatório de Atividades Trimestrais do Idam (RAT/2025)", explicou Marcos Vinícius Garcia, pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, coeditor técnico e coautor do trabalho. 

A publicação foi elaborada em conjunto por pesquisadores e técnicos da Embrapa Amazônia Ocidental (AM), Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA), Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror). A obra conta, ao todo, com 16 autores.

Importância para a agricultura tropical

O abacaxi figura entre as culturas tropicais mais relevantes no cenário econômico e social do Brasil, atuando como gerador de renda no meio rural. O País ocupa a quarta posição no ranking mundial de produção, atrás da Indonésia, Filipinas e Costa Rica, e a maior parte das frutas colhidas atende ao mercado interno para o consumo in natura, com relevância na região Norte.

No panorama local, o abacaxi compõe a economia agrícola de curto ciclo do Amazonas, ao lado de culturas como a mandioca, a banana e a cana-de-açúcar. O cultivo comercial concentra-se em municípios como Manaus, Careiro, Rio Preto da Eva, Careiro da Várzea e Itacoatiara, favorecidos pelas rotas de escoamento e proximidade com o mercado consumidor da capital. O município de Itacoatiara responde por mais da metade do abacaxi produzido no estado.

A produção de abacaxi no Amazonas apresenta no sistema de cultivo desafios que elevam o custo de produção, como o controle de plantas daninhas, pragas e uso de fertilizantes. Em contrapartida, a região de Novo Remanso registra bom rendimento com a cultivar Turiaçu Amazonas (foto abaixo) a partir da adoção de plantios adensados e boas práticas de manejo.

O histórico da cultura em Itacoatiara também indica a influência do equilíbrio econômico: após período de crescimento na produção anual, a atividade registrou retração causada pela variação nos preços dos fertilizantes, o que reduziu a área cultivada e direcionou a demanda por tecnologias focadas na moderação de custos.

Variedades crioulas

Além da cultivar “Turiaçu Amazonas”, o estado apresenta outras variedades crioulas em plantios de agricultores familiares, mas de comercialização restrita aos mercados locais nos municípios. Para estimular o cultivo de outras variedades tradicionais, serão necessários estudos para avaliar a produtividade e qualidade dos frutos dessas variedades. 

Estudos recentes foram realizados com duas variedades tradicionais locais que foram denominadas “São Gabriel” e “Jucá”, indicando o potencial de cultivo e contribuição para a diversificação da base genética dos plantios no Amazonas.

Composta por pequenos e médios produtores que utilizam a mão de obra familiar, a cultura do abacaxi na Amazônia apresenta potencial para novos mercados. O desenvolvimento da atividade combina o manejo integrado ao aproveitamento de resíduos vegetais para a alimentação de rebanhos ou enriquecimento do solo, além da combinação do cultivo com a pecuária em sistemas integrados.

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*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.

 

 

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