Show de pirotecnia no novo Plano safra. Juros baixos e menos acesso ao produtor
Governo fez jogada matemática ilusória para baixar juros diminuindo os valores para financiamentos com taxas controladas

Amigas e amigos do Agro!
Foi tudo muito bem preparado para o lançamento do Plano Safra no Palácio do Planalto. Só faltou o presidente Lula na apresentação de como será o ano agrícola para médios e grandes produtores.
O presidente que estava em reunião do Mercosul em Assunção, chegou à tarde a tempo de participar do Plano Safra da agricultura familiar, que teve até feira de alimentos do lado externo do palácio.
Vamos aos números
O Plano Safra Empresarial, teoricamente, vai ter um montante de 525 bilhões de dólares com juros variando entre 8 e 12,5%. Como a taxa Selic caiu, os juros baixaram em média 1.5 ponto percentual.
Para a Agricultura Familiar o valor para financiamento será de 85 bilhões reais e juros variando entre 2% e 0,5%.
Então vamos fechar os números anunciados e refletir em cima deles!
Somando-se os 2 planos, o governo afirma que serão 610 bilhões de reais para o próximo ano da agropecuária brasileira.
Você sabia que somente 18 bilhões saem do Tesouro, dos cofres do governo?
Esses 18 bi e controlam os juros de 97 bilhões para financiamentos.
Os outros 513 bilhões anunciados pelo governo são captados pelos bancos no mercado de capitais e os juros são livres de mercado, podendo chegar a 25% ao ano. Quem entrar nesse financiamento tem grande chance de falir.
Resumindo, o governo anuncia esses valores mas o produtor não depende dele. Basta ir a qualquer agencia bancária e se tiver cadastro aprovado, leva a grana.
Quer mais um detalhe? O governo fez uma jogada matemática ilusória para diminuir os juros. Ano passado, o produtor teve um pacote para juros subsidiados e controlados de 113 bilhões de reais.
Esse ano, menos produtores rurais terão acesso aos financiamentos com juros baixos, porque o valor de 113 bi do no ano passado caiu para 97 bilhões, queda de 15%.
Ou seja, se diminuiu 16 bilhões para baixar os juros, mais produtores terão que recorrer aos juros livres dos bancos de até 25%.
No final, o punido foi o agricultor que tem menos condição financeira.
Finalizando, ainda não temos nada para o seguro rural e a expectativa não é boa!
E os produtores endividados pela falta do seguro nos últimos anos e atingidos pelo clima adverso? Precisam de uma solução para não ficarem fora da próxima safra.
O momento do agro brasileiro não é bom e o povo não aguenta pagar mais caro pelos alimentos.
Valdir Barbosa
Itatiaia Agro
Produtor rural no município de Bambuí, em Minas Gerais, foi repórter esportivo por 18 anos na Itatiaia e, por 17 anos, atuou como Diretor de Comunicação e Gerente de Futebol no Cruzeiro Esporte Clube. Escreve diariamente sobre agronegócio e economia no campo.



