Além dos fertilizantes, diesel e juros altos, o agro corre contra a queda do dólar
O boi com seus derivados é um dos setores mais atingidos pela baixa do dólar no mercado internacional

Amigas e amigos do Agro!
O dólar em queda vem na contramão do mercado agrícola, tanto o de produção quanto o de exportação. No setor de produção quando se fala em plantio, conforme analisamos ontem, é assustador o custo do plantio de um hectare de milho baseando-se no valor de comercialização e que não fecha a planilha. É prejuízo na largada.
A soja e outros grãos que são plantados em outras regiões e épocas diferentes também serão atingidos. Na exportação já se paga mais caro pelos contêineres de navios.
A carne bovina teve redução de lucro considerável nas exportações. O aluguel de um contêiner refrigerado subiu de 2 mil e 800 dólares para 7 mil dólares, além dos seguros que aumentaram bastante.
O preço da tonelada de carne que virou um bom atrativo é de 5 mil, 814 dólares, alta de 18% em comparação a março do ano passado.
Mas refazendo as contas o dólar estava cotado um mês atrás em R$ 5,30. Hoje, a cotação do dólar caiu para R$ 4,97. O produtor passa a receber menos R$ 1.918,00 pela tonelada, que é um valor significativo
Para cada duas toneladas de carne, foram abatidos em média cinco bois. Se o produtor exporta 50 bois, o que não é lá muita coisa, ele terá uma perda de R$ 19.180,00, com a moeda americana abaixo de 5 reais.
Todas essas diferenças a mais sempre serão divididas com o consumidor.
Valdir Barbosa
Itatiaia Agro
Produtor rural no município de Bambuí, em Minas Gerais, foi repórter esportivo por 18 anos na Itatiaia e, por 17 anos, atuou como Diretor de Comunicação e Gerente de Futebol no Cruzeiro Esporte Clube. Escreve diariamente sobre agronegócio e economia no campo.



