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Dia do trabalhador ou do colaborador?

Como as empresas têm mudado a visão do que é o modelo de trabalho ideal conhecido há anos para um modelo atual voltado para a colaboração

No dia 1º de maio comemoramos o Dia do Trabalhador. Na minha última coluna falei um pouco do Movimento Capitalismo Consciente, e como este continua a ser, ao meu ver, o modelo econômico mais viável na redução das desigualdades sociais.

Cada vez mais nossa sociedade questiona a forma como as empresas lidam com seus funcionários, e a pandemia de Covid-19 conseguiu implementar o que antes parecia impossível ser realidade no Brasil – o modelo home office.

Ambientes corporativos mais humanos, colaborativos e descontraídos, hoje são realidade em muitas empresas e um grande número têm buscado cada vez mais um modelo de cultura, gestão e liderança alinhados a valores como empatia, diversidade e inclusão.

São vitórias dos trabalhadores, hoje considerados colaboradores, afinal, ninguém constrói nada sozinho e mais do que nunca tem se provado que empresas humanas possuem melhores resultados para seus colaboradores e sociedade.

E se estamos falando sobre trabalho, cultura, gestão e oportunidades, nada melhor do que citar nessa coluna a relevância que o LinkedIn ganhou no Brasil, sendo a plataforma de recolocação e divulgação mais utilizada por empresas e pessoas que estão recrutando, além de excelente local para divulgação de trabalhos e ideias a respeito de temas que interessam o meio corporativo, dentre estes o ESG (Ambiental, Social e Governança).

E foi justamente no LinkedIn que me deparei com o brilhante texto escrito pelo Thierry Cintra Marcondes sobre o Dia do Trabalho e que, após autorização, tenho o prazer de poder publicar aqui.

Quem é o Thierry Marcondes?

Thierry é conector de impacto, conselheiro e tem o propósito de “através da acessibilidade e responsabilidade socioambiental, trazer autonomia a todas as pessoas” e “ajudar as empresas a enxergarem a acessibilidade como uma estratégia de negócios”.

Atualmente, lidera acessibilidade e inovação na Accenture além de atuar como conselheiro de duas startups: 2.5 Ventures e AUREM. Se não bastasse todo esse currículo, Thierry também é conselheiro voluntário no Unicamp Ventures e do Frotas e Fretes Verdes.

“Eu acredito que nós, surdos, iremos mudar o mundo e criar novas tecnologias”, diz Thierry.

Sim, Thierry é surdo e prova que a inclusão é fundamental e necessária para o mercado de trabalho além de ser um exemplo de que, quando o talentos são apoiados pelas empresas, eles podem “voar”!

Com vocês, o brilhante texto de Thierry!

Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador – Temos que adaptar os conceitos

Vamos relembrar a história: O Dia do Trabalhador surgiu de uma greve operária, nos Estados Unidos, em 1886, durante a Revolução Industrial, com objetivo de conseguir melhores condições de trabalho. Muitos eram submetidos a jornadas intensas de trabalho (muitas vezes jornada de 17 horas), situações insalubres de trabalho.

Voltando aos dias de hoje, se fizermos uma reflexão profunda, pouca coisa mudou.

Como assim?

O trabalho está mudando - cada vez mais a parte física está perdendo força, conceitos de produtividade também estão mudando, de empregabilidade.

Primeiro hoje a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), completa hoje (01/05/2023) 80 anos, mas está estagnada desde 2015 o crescimento sendo que mais 40% dos trabalhadores estão na informalidade há décadas, a carteira de trabalho deixou de ser um sonho, até como trás na reportagem o Jornal Globo.

No Brasil está em alta o “EMPREENDEDORISMO”, que falo que no Brasil com a burocracia que temos, que falo que é uma terceirização criativa - a pessoa sente que está tendo a flexibilidade, porém trabalhando jornadas de 12 horas por dia, muitas vezes sem ferramentas corretas e se sujeitando a condições de pouco equilíbrio pessoal.

Lembro até hoje do Welington Pereira da Silva, que me deu uma lição do novo modelo de trabalho: “Meu desejo é colocar uma cadeira no meio da linha de produção, para que possa estar continuamente estudando, olhando os detalhes e propondo as melhorias e inovando” - e não correndo adoidado para trocar bobinas, abastecendo os frascos, buscando os molhos, infelizmente os a alta liderança em quase todas as empresas não sabem o novo conceito de trabalho e faz com que temos que estar correndo atrás do “rabo”, “fingindo” que estamos trabalhando.

Pois é - quantos relatórios que são para “inglês verem” que temos que fazer, quantas tarefas tangíveis que temos que fazer para cumprir metas?

Hoje que precisamos para trabalho digno é ter ACESSIBILIDADE, desde o acesso a ferramentas que possam nos ajudar no dia a dia, desde um acesso a uma comunicação (entendível, clara, autêntica e transparente, pelo que venho construindo na metodologia de acessibilidade), e respeito na questão da DIVERSIDADE (quantas vezes você não sente pertencido ao trabalho).

No vocabulário moderno:

CONDIÇÕES INSALUBRES: Sem saúde mental para trabalhar,

JORNADAS INTENSAS: Não se desconectar do trabalho, especialmente em ferramentas digitais.

MELHORES CONDIÇÕES DE TRABALHO: Acesso a ferramentas corretas de ACESSIBILIDADE e o RESPEITO e TRANSPARÊNCIA a DIVERSIDADE.

PERSPECTIVA DE CRESCIMENTO: Ajuda para que possa buscar o trabalho de seu propósito, com a evolução e desenvolvimento educacional para poder trabalhar com dignidade e equilíbrio.

Recomendo a seguir a Maíra Blasi, que tem feito um lindo trabalho de reflexão dos novos modelos de trabalho.

Bruna Braga é jornalista, consultora em RSC e fundadora da Terceirolhar
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