Ouvindo...

Times

O terceiro motor da economia

Pesquisa revela que São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais lideram o investimento no Terceiro setor que tem PIB próximo ao do Agro

Elas são entidades sem fins lucrativos, mas podem ser consideradas uma espécie de terceiro “motor” da economia do Brasil. Uma pesquisa divulgada recentemente, “Contribuição Econômica do Terceiro Setor” iniciativa liderada pelo Movimento por uma Cultura de Doação, com coordenação da Sitawi Finanças do Bem e execução da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), demonstrou que o PIB do terceiro setor impacta e muito a economia brasileira, para se ter uma ideia, o setor de OSCs, fundações e institutos sociais empregam mais de 6 milhões de pessoas e têm uma participação de 4,27% no PIB brasileiro, bem próximo do setor agrícola que é de 4,57%. Não por acaso, o terceiro setor tem feito tanto a diferença na transformação de vidas no nosso país, como por exemplo, quando abordei na minha primeira coluna intitulada O Terceiro Olhar neste portal, o quanto relevante tem sido a atuação do mesmo no desastre recente causado pelas chuvas no litoral paulista.

O “ranking do bem” demonstra que nós mineiros podemos ficar orgulhosos, afinal, somos os terceiros em solidariedade; “após a simulação da remoção de todas as atividades do Terceiro Setor nos estados, os impactos observados foram em maior escala nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, para os três indicadores: Valor Adicionado, Ocupação e Valor de Produção” aponta o estudo.

No Brasil existem mais de 800 mil ONGs/OSCs, muitas movimentam milhões de reais por ano, como por exemplo, o Sistema Divina Providência (MG) que tem um custo operacional de mais de 44 milhões de reais e emprega aproximadamente 740 pessoas, a Associação Mineira de Reabilitação, AMR, tem 115 funcionários e movimenta 8,5 milhões de reais e o Hospital da Baleia (BH) emprega 1254 colaboradores, isso sem contarmos os 300 médicos e tem receita operacional prevista para 2023 de mais de 109 milhões de reais.

Vale também enfatizar como as iniciativas da sociedade civil podem ser importantes, como o Movimento Bem Maior, que tem como filosofiaA Sociedade precisa mudar. Nós somos a Sociedade. Nós somos o Bem Maior”. O Movimento surgiu a partir da vontade de grandes empresários filantropos brasileiros tais como: Rubens Menin (MRV), Eugênio Mattar (Localiza) e Elien Horn (Cyrela) de apoiar projetos de ONGs, tendo já investido mais de 120 milhões de reais por todo o Brasil.

A verdade é que cada vez mais a iniciativa privada e o poder público estão tendo a consciência do quão fundamental é o papel do terceiro setor para sanar os carências que o serviço público não consegue suprir e mais, o quanto a atuação das entidades têm sido crucial para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil.

Vale lembrar como o impacto negativo da pandemia do coronavírus foi minimizado graças à enorme movimentação de ONGs e empresas socialmente responsáveis na arrecadação e distribuição de alimentos, materiais de limpeza e doações para o setor de saúde. Segundo a pesquisa, “em valores absolutos, para a variável de valor adicionado (PIB), a ausência do Terceiro Setor levaria a uma redução de R$ 85,2 bilhões no estado de São Paulo, R$ 25,7 bilhões no Rio de Janeiro e R$ 20,3 bilhões em Minas Gerais.”

Nas minhas palestras sobre responsabilidade social corporativa sempre abordo a seguinte questão; quando você apoia, por exemplo, um projeto de capacitação profissional para jovens como a Cidade dos Meninos em Ribeirão das Neves, quem você acha que ganha com isso?

A resposta é simples, ganhamos todos nós, uma vez que, esse jovem que poderia estar na rua sendo um custo ou problema para o Estado e família, está sendo transformado e capacitado para trabalhar na sua empresa, dessa forma, ele gera renda, fomenta a economia, pode se tornar um consumidor do produto que você vende e tem a oportunidade de ser muitas vezes, a primeira pessoa que vai “virar a página” da pobreza na família!

Eu poderia falar muito mais aqui sobre o poder transformador do terceiro setor e das empresas conscientes e se você não sabe, o que são as empresas conscientes, já fica aqui o spoiler do nosso próximo encontro na semana que vem!

Até lá!

Bruna Braga é jornalista, consultora em RSC e fundadora da Terceirolhar
Leia mais