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Quer um conselho? Se vingue!

Confira a palavra do Padre Samuel nesta quinta-feira (6)

As relações são a beleza e o drama de ser humano. Como lembra Tom Jobim: "é impossível ser feliz sozinho”. Estamos fadados, por sina que desatina ao “dilema do porco espinho”. Por um lado, precisamos estar juntos, com esse tanto de gente, no ônibus, no trabalho. Em casa tem muita gente, tem vizinho, tem cunhado... E por isso mesmo, na medida em que a gente tem que estar junto, se espeta.

Que desafio é administrar as diferenças. O contato arranha. As relações custam.

Fica comigo. Quero hoje, à luz das Escrituras, vou te dar três dicas indispensáveis para lidar com a convivência.

Confira a palavra do Padre Samuel no YouTube:

Em primeiro, a regra de ouro dada por Jesus no Sermão da Montanha (Mt 7, 12): “tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também vós a eles”. Uma das coisas que mais dificulta nas relações é a incapacidade de ver sob a perspectiva do outro. A gente diz que é preciso ter empatia. Mas empatia, no sentido estrito, é impossível. A gente, na verdade, nunca sente pelo outro. Mora no sofrimento a solidão. Ninguém transfere dor...No entanto, é possível, a partir de si, das próprias dores, avessos, medos, arriscar-se a ver sob a perspectiva do outro.

Olhe para si, veja o que te falta, perceba como pra você é significativo receber um gesto de gentileza. Aí então se aventure na direção dessa outra pessoa diante de ti e se pergunte: como posso preservá-la de infelicidade? Tornar seu dia menos chato, dar importância ao que ela está me dizendo?

Um segundo ponto: pare de ver as diferenças como um obstáculo. A gente vive numa sociedade em que tudo é competição o tempo todo. É lógico, num emprego, por exemplo, a gente tem que ser “notado” por aquilo que faz, mas o excesso de busca pelo “destaque” deixa a gente chato. Jesus falou que temos que ser sal e luz. Tem gente que entendeu que é para ser holofote e sódio pra todo prato...

O Apóstolo (1 Cor 12, 12-22) lembra que, como um corpo não é feito apenas de um membro, mas de muitos, nós não podemos viver em disputa. O olho não pode dizer ao corpo: “não sou ouvido, portanto não pertenço ao corpo”. Se o corpo todo fosse ouvido, onde estaria o olho?

Terceira dica: se vingue. Isso mesmo. A melhor saída para alguém que nos desafia é a vingança. Mas calma, não aquela do “olho por olho e dente por dente”. Se você paga na mesma moeda, se rebaixa. A gente não deve tocar tambor para maluco dançar. Esse tipo de vingança costuma fazer feliz por um instante, a Bíblia propõe um modo de ser feliz para sempre.

Paulo nos exorta na carta aos Romanos (12, 17. 20-21): “não deveis pagar o mal com o mal. Se teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer. Se tiver sede, dá-lhe de beber. Agindo assim, estarás amontoando brasas sobre a cabeça dele. Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem”.

Entenda, o Apóstolo não está ensinando a gente a ser bobo, mas a não se deixar dominar pelas loucuras dos outros. Como lembra a sabedoria oriental, quando damos o troco na mesma moeda, estamos tomando um copo de veneno, no desejo de que o outro morra.

Não se esqueça: quem se conhece não é ofendido por ninguém; quem te irrita, te domina; o primeiro a perdoar, é o mais forte; colhemos o que plantamos; o bem que a gente faz, mesmo a quem não merece, cedo ou tarde tem data para voltar...

Pró-reitor de comunicação do Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade. Ordenado sacerdote em 14 de agosto de 2021, exerceu ministério no Santuário Arquidiocesano São Judas Tadeu, em Belo Horizonte.
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