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Medo de ‘perder o controle’ fez base de Bolsonaro desmobilizar protesto

Lideranças temiam punição do STF e interrupção de negociação da Anistia

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Protesto a favor do Bolsonaro na Esplanada dos Ministérios
Protesto a favor do Bolsonaro na Esplanada dos Ministérios  • Gabriel Máximo/Itatiaia

O temor de atrapalhar o diálogo sobre a votação da Anistia com o Congresso Nacional e o medo de uma punição por parte do Supremo Tribunal Federal (STF) fizeram lideranças bolsonaristas desistirem do protesto na Esplanada dos Ministérios, no último domingo (30).

Antes da prisão preventiva, no dia 22, os Influenciadores do Brasil já haviam marcado manifestação para domingo (30) em frente a Catedral de Brasília. O ato foi confirmado após a detenção do ex-presidente e as caravanas estavam programadas desde o início da semana. No entanto, a abertura de um diálogo com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), para pautar a Anistia fez com que algumas lideranças recuassem para que o diálogo não fosse interrompido. As lideranças decidiram desmarcar a manifestação.

A semana é considerada decisiva por muitos parlamentares. Se a Anistia não for colocada em pauta, deputados e senadores vão voltar a mobilizar suas bases para manifestações de rua. A ausência de mobilização por parte dos políticos com mandato revoltou os militantes e esvaziou o protesto em Brasília.

Uma das fontes da coluna afirmou que um protesto na Esplanada seria não apenas um risco para as negociações sobre Anistia como poderia irritar o Supremo Tribunal Federal, considerando que a prisão preventiva de Jair Bolsonaro (PL) foi decretada por Alexandre de Moraes, após a vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL).

“Não chamamos porque não tem controle”, afirmou uma liderança da base de Bolsonaro. O ato foi realizado na Esplanada dos Ministérios, local onde ocorreu a quebradeira do 8 de janeiro. A localização do protesto foi considerada pelas lideranças um risco adicional.

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

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