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Após troca de ministro da Secom, o que vai mudar na comunicação do Governo Lula?

Divulgação de pautas, redes sociais, discursos, entrevistas e slogan da gestão. O que Sidônio Palmeira pretende mudar para turbinar o '2º Tempo' do Lula 3.0?

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O presidente Lula e Sidônio Palmeira, durante a campanha eleitoral de 2022 • Divulgação

O novo ministro da Secretaria de Comunicação do Governo Lula, o publicitário Sidônio Palmeira, adiantou a estratégia de comunicação que deve adotar à frente da Secom. O marqueteiro será nomeado na próxima terça-feira (14), mas já está no processo de transição com o atual titular da pasta, ministro Paulo Pimenta (PT), que teve sua demissão comunicada na última terça-feira (7).

A principal diretriz do novo ministro é dar mais visbilidade às ações da gestão federal. "O foco é o governo falar o que tem. Os ministérios aparecerem e mostrarem suas marcas, o que estão fazendo. Acho que esse é o negócio é fazer com que a comunicação chegue no público. Isso é importante. Eu tenho vários meios pra isso", antecipou o ministro.

Redes Sociais

O ministro ainda não avaliou se vai alterar a equipe de redes sociais, mas fez sua leitura pessoal sobre o 'sucesso' da direita nas plataformas digitais. "A extrema-direita no mundo, ela sumiu desde o fim Segunda Guerra Mundial, porque com a derrota do nazifacismo ela sumiu. Então, como ela volta? Ela volta com o advento das redes socais? Por que ela volta com o advento das redes? Porque nas redes tem uma coisa que prolifera fake news e discurso de ódio', refletiu.

André Janones

Sidônio disse que ainda definiu a estratégia para redes sociais, o que é um dos grandes desafios para a esquerda. O deputado federal André Janones (Avante), muito próximo do marqueteiro de Lula desde a campanha em 2022, esteve presente no Ato do 8 de Janeiro, quando Sidônio fez a primeira aparição após ser anunciado ministro. No entanto, pelo que a coluna apurou, o parlamentar não exercerá nenhum papel na equipe de Lula. Janones disse à Itatiaia que não há convite nesse sentido.

Slogan

O ministro afirmou que não pretende mudar o slogan da gestão petista que é "União e Reconstrução", mas pretende lançar várias campanhas. "União e reconstrução mantem. [...] Existe um slogan maior, mas você pode tocar de acordo com o momento que o governo está vivendo", explicou.

Discurso

O publicitário também disse que Lula deve falar sempre com a imprensa. O impacto da atuação de Sidônio já apareceu nas frases de efeito e referências usadas por Lula no discurso do 8 de janeiro. O presidente citou o Hino Nacional, ao dizer que está "forte, impávido e colosso" e fez alusão ao nome do filme de Walter Salles ao dizer "Ainda estamos aqui" para reforçar que o Brasil sobreviveu à ditadura e atentados à democracia.

Gafe do presidente

Ao sair do script, Lula cometeu uma gafe é disse que é um amante da democracia porque "maridos são mais apaixonados pelas amantes do que pelas mulheres". Questionado, Sidônio disse que não vai puxar a orelha de Lula pelo erro. "Eu nunca puxo a orelha do presidente".

Meta

O ministro disse que o governo deve lançar mão dos instrumentos para garantir que fake news não propaguem no Brasil. De acordo com ele, a decisão da Meta de sobre o fim do programa de checagem de fatos nos Estados Unidos, substituído pelo sistema de “Notas da Comunidade”, é algo “ruim para a democracia”.

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

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