Análise: Por que a corrida eleitoral em Belo Horizonte está tão embolada?
A fragmentação das candidaturas de direita e esquerda promoveu uma despolarização da eleição na capital

Uma das perguntas que mais tem sido feitas recentemente é: Por que a corrida eleitoral em Belo Horizonte está tão embolada? Por que muitos candidatos estão tão próximos - em intenção de votos - uns dos outros?
Pesquisa Itatiaia Doxa
A Pesquisa Itatiaia/Doxa, por exemplo, mostrou Mauro Tramonte (Republicanos) com 29,3% das intenções de voto. Empatados dentro da margem de erro na segunda posição estão cinco candidatos: o deputado estadual Bruno Engler (PL), com 10,7%; o prefeito Fuad Noman (PSD), com 10%; a deputada federal Duda Salabert (PDT), com 9,9%; o senador licenciado Carlos Viana (Podemos), com 8%; e o deputado federal Rogério Correia (PT), com 5,8%.
Fragmentação
Duas reflexões ajudam a responder essa pergunta: uma delas é a fragmentação das candidaturas de direita e de esquerda. Ambos os polos da escala ideológica foram para as urnas fragmentados. A esquerda, por exemplo, que poderia ter unidade entre Rogério Correia e Duda Salabert, não conseguiu se unificar. A direita que poderia ter uma composição entre Engler, candidato do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e Luisa Barreto, candidata do governador Romeu Zema (Novo), também não se unificou. Essa desintegração resultou em uma eleição pulverizada e na divisão de votos dentro de um mesmo espectro político.
Moderados
O segundo ponto é que mesmo os candidatos mais radicais baixaram o tom para tentar conquistar os eleitores moderados que são os fiéis da balança, aqueles que definem a eleição. Tanto a extrema esquerda quanto a extrema direita, contando que os eleitores mais aguerridos estão garantidos, partiram em busca dos mais equilibrados e acabaram dividindo também essa parcela do eleitorado.
Por que Tramonte está isolado?
Essas duas reflexões ajudam a explicar também a alavancada de Tramonte. Ao trazer para sua chapa cabos eleitorais tidos como representantes das duas pontas (Zema e Kalil), um mais a direita e outro mais a esquerda, um mais social e outro mais empresarial, ele aglutinou eleitores dos 'dois mundos" e ainda moderados que entendem que pode haver algum equílibrio na chapa.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.



