Aposentadoria compulsória: Dino diz que está ‘fazendo valer’ reforma da Previdência

Ex-servidores temem validade retroativa a 2019

Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino de acabar com o recebimento de aposentadoria compulsória para juízes condenados por má conduta “faz valer o que está previsto na reforma da Previdência”, aprovada em 2019, segundo interlocutores do ministro. Há controvérsias, porque alguns alegam que, na verdade, a reforma é omissa em relação a esse ponto, o que daria ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a responsabilidade de definir o que fazer.

Não retroage

O temor entre desembargadores e juízes, no momento, é que o CNJ decida que a validade seja retroativa. A coluna ouviu especialistas que afirmam que, na esfera disciplinar — semelhante à penal —, nova regra ou nova interpretação não vale para prejudicar. O que significa que, mesmo com a aposentadoria compulsória suspensa, a medida valeria apenas a partir de agora.

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Dobradinha

Se observarmos uma linha do tempo, as ações de Flávio Dino para a moralização do Judiciário acontecem em uma dobradinha com o presidente do STF, Edson Fachin. Na sessão de abertura do ano judiciário, em fevereiro, Fachin consolidou a ideia de um código de conduta para os ministros, e Dino determinou o corte de penduricalhos para servidores públicos. Nesta segunda-feira (16), Fachin deu uma aula magna em Brasília e afirmou que o comportamento dos juízes deve ser “irrepreensível”. Em ação alinhada, Dino determinou o fim do pagamento da aposentadoria compulsória.

Caso TJMG

A decisão ocorre em um momento de um “boom” de casos suspeitos de abuso, inclusive sexual, envolvendo magistrados. Em Minas Gerais, por exemplo, o juiz Magid Lauar, se após o afastamento for condenado pelos casos de abuso dos quais foi acusado, pode ser alcançado pela interpretação.

Banco Master

A ação de moralização também ocorre no momento em que o STF atravessa uma crise de credibilidade, principalmente após a citação de envolvimento de ministros no caso do Banco Master.

Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast “Abrindo o Jogo”, que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

A opinião deste artigo é do articulista e não reflete, necessariamente, a posição da Itatiaia.

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