Saída da Argentina da COP pode inviabilizar acordo entre Mercosul e União Europeia

Por ordem de Javier Milei, representantes argentinos abandonaram os debates na Conferência de Baku

Presidente da Argentina, Javier Milei

A Argentina abandonou as negociações da Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, em Baku, no Azerbaijão, nesta quarta-feira (13). A ordem foi dada pelo presidente Javier Milei e pode ter repercussões diversas, inclusive para o Brasil.

Segundo uma das fontes da coluna, a desistência da Argentina de cumprir a meta de conter o avanço da temperatura global em 1,5 grau e uma possível saída do Acordo de Paris (2015), firmado em 2015, pode inviablizar a assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.

A possível saída do pais do Mercosul já era uma ameaça à negociação entre os blocos. O não cumprimento das metas climáticas agrava a situação, já que a exigência ambiental dos europeus é altíssima.

Mesmo que haja acordo, se a Argentina ficar de fora, ela não poderá negociar separadamente com países da União Europeia e a solução, talvez a desejada pelo governo argentino, será focar em acordos comercias com os Estados Unidos, que acabam de eleger Donald Trump, alinhado com Milei.

Aliás, Trump, em seu primeiro governo, abandonou o Acordo de Paris, e já ameaçou fazê-lo pela segunda vez quando voltar ao poder novamente. Milei se antecipou e já fez seu aceno ao companheiro de direita.

O próximo espaço para surpresas de Milei é a Cúpula do G20, que começa no dia 18, no Rio de Janeiro.

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast “Abrindo o Jogo”, que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

A opinião deste artigo é do articulista e não reflete, necessariamente, a posição da Itatiaia.

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