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MG registra mais de 40 mil casos de pessoas desaparecidas em 5 anos

Mãe de desaparecido em BH há cinco anos retrata a difícil caminhada de quem busca um ente querido: ‘O que está acontecendo com ele? Eu não quero morrer sem saber’

adastro de pessoas desaparecidas renova esperanças

O novo Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, lançado pelo Ministério da Justiça, pretende reunir informações como nome completo e data de nascimento para facilitar as buscas da polícia e da população por meio do site do governo.

Em Minas Gerais, a situação é alarmante. Só em 2025 já foram registrados quase 5,6 mil casos de desaparecimentos sem explicação, segundo a Polícia Civil.

Apesar dos esforços das autoridades, milhares de famílias seguem sem notícias. Nos últimos cinco anos, 40 mil pessoas desapareceram no estado.

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Entre esses casos está o de Luis Carlos Fagundes, de 35 anos, que saiu de casa, no Barreiro, na capital mineira, há quatro anos e nunca mais voltou. A mãe dele, Maria Terezinha, de 72, relata com emoção a dor da ausência:

“Minha filha, você não sabe o que eu tenho passado. Não durmo. Tudo o que vou fazer eu lembro dele. Parece que é hoje, não foi cinco, quatro anos, não. Parece que está acontecendo ainda. Fico pensando: pra onde ele foi? O que está acontecendo com ele? Eu não quero morrer sem saber dele. Eu quero ele de volta.”

O luto que não acaba

A ausência de notícias sobre um familiar desaparecido, dizem especialistas, leva muitas famílias a viver um “luto eterno” — renovado diariamente pela falta de respostas.

O psicanalista e professor da PUC Minas, Celso Renato, explica que há situações específicas em que o luto é mais difícil de ser elaborado:

“Algumas pessoas, além de vivenciarem esse luto, não conseguem superá-lo. É o que chamamos de um luto infinito. O problema é que, depois de anos, a pessoa ainda vive aquele dilema como se tivesse acontecido ontem. A qualidade de vida fica completamente atravessada pela experiência da perda.”

O trabalho da polícia

O delegado Alexandre da Fonseca, da Divisão Especializada de Referência à Pessoa Desaparecida em Belo Horizonte, afirma que a Polícia Civil busca se empenhar ao máximo para dar respostas às famílias:

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“As famílias falam que é um luto eterno, você não saber o que aconteceu com seu parente. Muitos não aceitam a cobrança sem uma resposta, e com razão. Nós tentamos nos esmerar ao máximo para dar essa resposta, porque é um direito deles. Acreditamos muito na palavra da família, damos valor às informações que trazem, fazemos levantamentos e corremos atrás para confirmar. Se encontramos a pessoa viva, não perdemos a diligência. E, se nos deparamos com crimes conexos, encaminhamos à autoridade competente.”

Se você avistou ou localizou uma pessoa que já tinha registro de desaparecimento, pode fazer a comunicação pela Delegacia Virtual ou via app MG App, selecionando a opção “Localização de desaparecido”. O sistema garante sigilo e preservação da sua identidade.

Você também pode ligar para o 0800 2828 197, canal mantido pela Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas.

Cursou jornalismo no Unileste - Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais. Em 2009, começou a estagiar na Rádio Itatiaia do Vale do Aço, fazendo a cobertura de cidades. Em 2012 se mudou para a Itatiaia Belo Horizonte. Na rádio de Minas, faz parte do time de cobertura policial - sua grande paixão - e integra a equipe do programa ‘Observatório Feminino’.