Horas e horas de espera e um tédio que parece não ter fim. Essa é a rotina de quem sai dos municípios do interior de Minas Gerais para se tratar na região hospitalar de Belo Horizonte. O problema é que o transporte só retorna após a consulta do último paciente.
Pessoas que precisam de atendimento em diversas especialidades chegam de madrugada e passam o dia inteiro por lá. Motoristas também permanecem na chamada “pracinha das ambulâncias”, na Avenida Francisco Sales, ao lado da Santa Casa, muitas vezes por 8, 10 ou até 12 horas. Quando a noite cai, ainda há gente esperando para voltar para casa. Banheiros públicos e qualquer estrutura de apoio praticamente não existem.
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“Eu vim fazer exame de vista. Venho praticamente todo mês no carro da prefeitura. A gente fica aqui nessa pracinha, que o pessoal chama de ‘Praça das Ambulâncias’”, contou Vicente Rezende de Campo, que saiu de Desterro de Entre Rios.
O dia estava frio, mas ele tinha acabado de passar pela consulta de catarata e estava aliviado. “Graças a Deus tá tudo ok. Mas agora, por volta de 9h vou ficar aqui esperando o dia inteiro. Não tem hora certa pra sair. É quando liberarem o pessoal que veio, geralmente umas quatro, cinco pessoas”, explicou. Enquanto aguarda, o tempo parece não passar.
“A hora demora para passar aqui, né? Tem que ficar perto do carro, não pode sair. E banheiro também não tem, a gente vai ao restaurante ali e usa o banheiro de lá.”Quem também conhece bem essa rotina é o motorista Paulo Roberto de Pinho, de Matipó. Ele sai da cidade à 1h da manhã e passa o dia parado na rua. “Tem que aguardar até a última consulta, que hoje vai até umas 16h”, disse.
Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte diz que faz estudos para ampliar a oferta de banheiros autolimpantes em outras regiões da cidade.