A área onde o restaurante Rancho Fundo funcionou por 25 anos, na avenida Mário Werneck, que passa pelos bairros Buritis e Estoril, região Oeste de Belo Horizonte, vai abrigar um empreendimento residencial e comercial. A informação é de um dos proprietários do terreno, que tem 3 mil metros, e chega após um vídeo que mostra o espaço deteriorado viralizar entre moradores viralizar nas redes sociais.
Um dos donos do terreno preferiu não gravar entrevista, mas confirmou à Itatiaia que o espaço foi negociado com uma construtora, que aguarda liberação ambiental para iniciar a execução do projeto. O proprietário da JCM Administração e Participação, dona do local, afirmou que o problema do vazamento de água, mostrado em um vídeo que viralizou, já foi resolvido, e que todos os acessos estão fechados para evitar invasões.
Fundado em 1995, o Rancho Fundo fechou em março de 2021 como consequência da pandemia de Covid-19. No auge, o restaurante chegou a ter 110 funcionários. O empresário e engenheiro Mário Sousa, 63 anos, é dono da marca Rancho Fundo. Ele lembra que quando o espaço foi aberto a Mário Werneck ainda era de terra.
“Foi um amigo do meu irmão que descobriu essa chácara em meados de 1994. Eu já atuava no ramo, fui olhar e gostei. O bairro tinha muita construção, mas era muito pouco habitado. Inclusive, na porta não tinha nem asfalto e em frente tinha uma quadra que servia de pasto para os jumentinhos do Parque Municipal. Fizemos adaptações na chácara e em 19 de outubro de 95 foi inaugurado o Rancho Fundo. Ficamos esses anos todos, mas veio a pandemia. Estava tudo muito difícil, conseguimos uma pequena redução no aluguel, mas a proprietária do imóvel, no dia do aniversário de 25 anos do Rancho Fundo, em 19 de outubro de 2020, faleceu. Passados dois meses, um dos herdeiros me comunicou que não ia ter mais desconto. Tentamos negociar, não consegui”, conta Mário.
Conforme documentos do 1° cartório de registro de imóveis de Belo Horizonte consultados pela reportagem, o terreno faz parte do ex-bairro das Mansões, atualmente Estoril, e pertencia ao médico Jacy Rodrigues Pereira, natural da cidade de Carandaí, que se casou com Maria de Lourdes Rocha Pereira. O casal teve duas filhas. Foi Jacy e o irmão José Rodrigues Pereira (que inclusive dá nome a uma das ruas de acesso ao Estoril) que fizeram o loteamento na região, na área da fazenda Cercadinho.
Uma movimentação registrada em cartório, em junho de 1987, mostra que a região ainda precisava de infraestrutura. “Os vendedores se obrigam a entregar o lote supra com a urbanização concluída, a qual compreenderá capeamento asfáltico das ruas, colocação de meio fio, captação de águas pluviais, colocação de rede de água e esgoto, posteamento e fiação para rede de energia elétrica e iluminação pública”, destaca trecho do registro do terreno.
Documento mostra que, em 1987, bairros Estoril e Buritis ainda tinham características de interior
Mário conheceu Jacy e revela que, além de médico, ele foi jogador. “Jogou futebol no América e fez parte do decacampeonato (entre 1916 e 1925). Ele me contava isso, gente da melhor qualidade”, recorda.
Mário considera que o sucesso do Racho Fundo contribuiu para divulgar a região do Buritis. “No início, a gente tinha 110 funcionários. E foi muito badalado, muito legal. Creio que o Rancho Fundo ajudou a divulgar o bairro. Muita gente ia ao Rancho Fundo e não conhecia o bairro. Tivemos lá aniversário de governador, que era o Eduardo Azeredo, tivemos vários casamentos, confraternizações, formaturas, batizados, (transmissão) de Copas do Mundo, vários réveillons. O Rancho Fundo foi, assim, bem significativo e marcante”, ressalta Mário.
Mário diz que o Racho Fundo poderia não ter fechado, caso tivesse chegado a um acordo com os proprietários. “Já se vão quase 4 anos que não tem mais nada lá. Eles não quiseram que eu ficasse. Eu toparia ter feito um acordo de ficar até que eles vendessem ou se me vendessem, porque sempre tive interesse em comprar o imóvel. Quase concluí a compra do imóvel em 2011, mas, na última hora, um dos herdeiros também desistiu. Então, é uma pena um imóvel tão bom e bacana, que significa muito para o bairro e que tem muita história, ficar do jeito que está hoje”, lamentou.
Rancho Fundo pode voltar?
Mário diz que tem um pedaço da área no terreno, com frente para a avenida Mário Werneck, e pensa em abrir um bar. “Em 2001, se não me engano, eles iam vender uma parte do terreno para uma universidade, e eu comprei. Está preparado, até tem frente para Mário Werneck também, para ser um bar. Há possibilidade de, em um futuro breve, a gente abrir e voltar a alegrar essa área. Talvez através dos meus filhos, que estão no ramo, voltar a dar alegria para o pessoal que gostava muito de lá”, concluiu.