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BH: médico e dentista que aplicaram PMMA em idosa são indiciados por homicídio

Cirurgia plástica de Laudelina Gomes Machado, de 61 anos, foi realizada por um casal em uma clínica médica clandestina no bairro Prado, região Oeste de Belo Horizonte, em março de 2024

O médico Adelmo de Araújo Monteiro e sua esposa, a dentista Rosilene Ceciliano, foram indiciados por homicídio doloso por conta da morte de Laudelina Gomes Machado, de 61 anos, que morreu após passar por uma cirurgia plástica para aplicação de polimetilmetacrilato (PMMA), que prometia levantar os glúteos. Segundo a Polícia Civil, a clínica em que o procedimento foi realizado em uma clínica clandestina (relembre o caso no fim da matéria).

De acordo com o inquérito, a aplicação de PMMA foi feita pela esposa de Adelmo, que é formada em Odontologia. Já Adelmo não possuía especialização médica como cirurgião plástico ou dermatologista. Além disso, a clínica não possuía autorização da Vigilância Sanitária.

Segundo os investigadores, os responsáveis tinham consciência do risco de suas ações e a morte ultrapassou o limite do erro médico. Com isso, Adelmo e Rosilene foram indiciados por homicídio doloso, quando há intenção de matar. O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário.

A Itatiaia tenta contato com a defesa de Adelmo de Araújo Monteiro e Rosilene Ceciliano. O espaço segue aberto.

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Relembre o caso

Laudelina faleceu no dia 7 de março de 2024 na clínica clandestina que fica no bairro Prado, na Região Oeste de Belo Horizonte. Débora Cesarino, advogada que representa parentes de Laudelina, disse em entrevista à Itatiaia que a paciente conheceu o médico por meio do Instagram. “Ela encontrou o perfil dele e gostou dos resultados. Foi ao consultório e fez duas aplicações na mesma região com a mesma substância, que foram bem sucedidas. Cada uma custou R$ 12 mil”, contou.

Foi na terceira ida que algo deu errado. A família conta que Laudelina estava “otimista” e “tranquila” no dia da sessão. “Laudelina não tinha nenhum problema crônico de saúde e estava muito esperançosa de fazer o último procedimento para corrigir um detalhe que estava a incomodando”, explicou Débora.

Segundo a advogada, o marido de Laudelina a acompanhou na data e viu a intervenção enquanto estava na sala de espera. Foi ele quem disse que o procedimento não foi feito pelo médico, e sim pela companheira dele. “A porta estava entre aberta e ele conseguiu visualizar o que se passava lá dentro. A aplicação do PMMA não foi feita pelo médico, mas, sim, pela companheira”, explicou Cesarino.

Laudelina ainda estava na clínica quando passou mal. De acordo com boletim de ocorrência, o marido entrou na sala para socorrer a esposa, acompanhado pelo médico que deveria ter feito o procedimento. “Foi então que ela passou mal: vomitou e se ajoelhou. Ela foi deitada no chão, onde iniciaram os procedimentos de primeiros-socorros. O próprio esposo viu tudo isso, entrou na sala e fez respiração boca a boca. Chamaram um cardiologista que tem um consultório ao lado da clínica”, relatou a advogada.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também foi acionado, mas a morte foi constatada. No registro policial, a dentista e biomédica afirma que, naquela data, acompanhou a realização do procedimento apenas preparando o material utilizado.

Médico fez ‘live’ no dia seguinte à morte

Em meio ao luto pela perda da mãe, os familiares se indignaram com uma postagem do médico responsável no Instagram. Josué Machado, de 37 anos, filho de Laudelina, contou que “no dia seguinte ao falecimento da minha mãe, ele estava fazendo uma live do vendendo o produto dele: o programa que chama ‘Bumbum Classe A’, que utiliza PMMA para melhorar o bumbum das pacientes. Fez live como se nada tivesse acontecido, uma grande desrespeito”, contou.

A família acredita que a “live” e outros conteúdos da página do médico é que convenceram Laudelina a realizar o procedimento estético.


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Jornalista formado pela UFMG, com passagens pela Rádio UFMG Educativa, R7/Record e Portal Inset/Banco Inter. Colecionador de discos de vinil, apaixonado por livros e muito curioso.
Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é “cria” da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.
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