MG registra média de uma morte por dia em acidentes com caminhões nas rodovias federais

Dados divulgados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) com exclusividade à Itatiaia mostram ainda média de nove feridos por dia em acidentes com caminhões nas estradas federais do estado

O veículo transportava uma carga de laranja que está espalhada pelo pista.

As estradas federais que cortam Minas Gerais registraram, em média, uma morte por dia e nove feridos em acidentes envolvendo veículos de carga nos últimos dois anos. Os dados, referentes ao período de 1º de janeiro de 2024 a 31 de janeiro de 2026, foram divulgados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) com exclusividade à Itatiaia.

Em números absolutos, Minas lidera o ranking nacional de sinistros com veículos de carga, com 6.183 ocorrências, além de 7.169 feridos no período analisado.

No entanto, quando os dados são ajustados proporcionalmente ao tamanho da malha rodoviária federal — a maior do Brasil —, o estado cai para a terceira posição em número de mortes por quilômetro rodado, com índice de 0,091. O Paraná aparece em primeiro lugar, com 0,191, seguido por Santa Catarina, com 0,151. No número de feridos por extensão de malha viária, Minas também fica atrás desses dois estados.

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O especialista em mobilidade e planejamento de trânsito, Osias Batista, destaca que os números são preocupantes, mas precisam ser analisados com cautela.

“Minas Gerais não só tem a maior malha rodoviária federal do país, como também essas rodovias têm uma função muito estratégica dentro da malha brasileira. Então nós temos uma movimentação de veículos muito grande em Minas”, explica.

Ele também pondera que a análise específica de acidentes com veículos de carga pode não refletir toda a realidade do trânsito em cada estado.

“Essa contagem dos acidentes envolvendo veículos de carga é complexa e também pouco representativa da realidade total, porque em algumas rodovias os acidentes mais comuns são com motocicletas, por exemplo”, afirma.

Para o especialista, há um problema cultural relacionado ao descumprimento das regras de trânsito.

“O motorista que está na estrada muitas vezes não se sente obrigado a respeitar as normas. Nós precisamos mudar não só no trânsito, mas na questão social de obediência às leis. As placas têm sua razão, os radares têm sua razão, as advertências têm sua razão. As leis são feitas, pelo menos em tese, para proteger a sociedade”, ressalta.

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O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setseng), Antônio Luiz da Silva, também chama atenção para a responsabilidade dos condutores de veículos pesados.

“O motorista precisa lembrar que está com uma arma na mão. Um caminhão pode ter 50, 60 toneladas no conjunto total. O impacto é muito maior. Um carro pequeno comete falhas com mais facilidade, mas quando o caminhão faz o estrago é grande. Então ele precisa estar muito mais alerta, ter mais paciência e muito mais cuidado”, afirma.

Entre as rodovias, a BR-381, em Minas Gerais, é a que concentra o maior número de registros de acidentes com veículos de carga no Brasil: foram 2.580 ocorrências nos últimos dois anos.

Os dados reforçam o alerta para a necessidade de mais atenção, fiscalização e conscientização nas estradas federais que cortam o estado.

Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV’s, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.

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