A Polícia Civil do Rio
Um menor que não teve a identidade divulgada responderá por ato infracional análogo ao mesmo crime. A polícia também apura se os acusados fizeram outras vítimas.
O episódio aconteceu no dia 31 de janeiro. Em depoimento à polícia, a vítima contou que um menor de idade, com quem ela já se relacionou entre 2023 e 2024, enviou uma mensagem a ela chamando para um encontro no apartamento de um amigo dele, que estava desocupado.
Mensagens trocadas entre os dois e obtidas pela polícia revelaram alguns trechos da conversa. A jovem teria dito que levaria uma amiga, mas não conseguiu e foi sozinha até o imóvel localizado na Rua Ministro Viveiros de Castro.
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Segundo as investigações, conduzidas pela 12ª DP (Copacabana), a jovem, ao chegar ao local, foi recepcionada na portaria pelo menor de idade, que comentou que havia outros amigos no imóvel e insinuou que eles também participariam do momento entre os dois.
Em depoimento a polícia, a vítima contou que nesse momento disse não ter concordado com a proposta. Já no interior do apartamento, ela teria sido levada a um quarto, onde ficou trancada com quatro homens.
Nesse local, teriam ocorrido os abusos. A jovem relatou que levou tapas, socos e um chute na região abdominal e que tentou sair do quarto, mas foi impedida.
O exame de corpo de delito apontou lesões compatíveis com violência física como escoriação na região genital, além de sangue no canal vaginal.
A polícia acredita que o crime tenha sido uma emboscada planejada. Se condenados, os envolvidos podem pegar quase 20 anos de prisão.
Envolvidos estudam em colégio federal
Os quatro envolvidos estudam no Colégio Pedro II (Humaitá), unidade de ensino federal. Em suas redes sociais a instituição de ensino disse que repudia o episódio e que abriu processo administrativo para desligamento dos jovens envolvidos.
A unidade disse ainda que, assim que soube do caso, procedeu com todas as ações necessárias, incluindo acolhimento à família da vítima, mantendo o sigilo solicitado pelas autoridades. Veja a nota na íntegra
“A Reitoria do Colégio Pedro II e a Direção-geral do Campus Humaita II informam à comunidade escolar ações realizadas referente ao caso de violência sexual tornado público na data de hoje pelos noticiários. A gestão do Campus Humaitá II, tão logo notificada, procedeu com todas as ações necessárias, incluindo acolhimento à família da vítima, mantendo o devido sigilo conforme requisição das autoridades cabíveis. Estamos todos indignados com o ocorrido e seguimos com os procedimentos para continuidade de processo iniciado pela gestão do campus, em conjunto com a Reitoria e sob orientação da procuradoria federal para desligamento dos estudantes.
Colégio Pedro II repudia toda forma de violência. Nossa política institucional afirma e reafirma o combate ao assédio, à violência de gênero e a toda forma de discriminação. Somos uma instituição que educa para o exercício pleno da cidadania. Nosso compromisso pedagógico e político objetiva a formação de uma juventude capaz de respeitar as diferenças, lutar contra as desigualdades sociais e repudiar a violência. E é esse compromisso que nos move todos os dias. Não podemos tolerar a barbárie brutal da violência de gênero vivenciada a cada hora em nosso país. Unidos na indignação, a gestão do campus Humaita ll e a Reitoria se solidarizam com todas as mulheres de sua comunidade. Porque a dor de uma de nós é a dor de todas nós. Manteremos as ações enérgicas e necessárias diante da urgência da situação e nos disponibilizamos as autoridades legais para o que for necessário.”
Um dos jovens acusados, João Gabriel Bertho, é atleta do Serrano Futebol Clube que também se manifestou em seu portal oficial afirmando que o atleta será afastado.
“O Serrano FC informa que tomou conhecimento do indiciamento do atleta João Gabriel Xavier Bertho em investigação da Polícia Civil. Entendemos a gravidade da situação e reforçamos que o clube repudia veementemente qualquer forma de assédio ou violência. O atleta está afastado e seu contrato suspenso. Estamos acompanhando de perto o desenrolar do caso e os desdobramentos da investigação.”