Pacientes enfrentam espera de até 20 horas para conseguirem ser atendidos em hospitais particulares de Belo Horizonte. As unidades estão superlotadas devido ao grande número de pessoas com sintomas de dengue que procuram atendimentos. Pacientes com dengue que precisam ser internados também têm dificuldade de conseguir leitos.
Em entrevista à Itatiaia, uma paciente que não quer ser identificada conta que está com Covid e procurou o Hospital Madre Teresa para ser atendida. Porém, a mulher esperou cerca de 20 horas para conseguir passar pelo médico. Segundo ela, a unidade está lotada de pessoas com dengue. Após passar pela consulta, a paciente foi diagnosticada com pneumonia e também demorou a conseguir um leito no hospital.
A reportagem procurou o Hospital Madre Teresa e aguarda retorno sobre a situação.
‘Pior epidemia da história’
Em entrevista à Itatiaia, o subsecretário de Atenção à Saúde da Prefeitura de Belo Horizonte, André Menezes, disse que a capital vive o pior momento da dengue da história.
Para conseguir atender a população e desafogar o sistema público de saúde, a Prefeitura de BH inaugura, na noite desta sexta-feira (1°), o hospital de campanha destinado a atender casos de dengue. A estrutura foi montada na UPA Norte, no bairro Novo Aarão Reis, e vai começar a atender os primeiros pacientes a partir das 19h.
Para conseguir atender a demanda na rede municipal, Menezes comentou que a prefeitura se prepara desde o início do ano para conseguir atender todos os pacientes.
“Nós estamos nos preparando desde janeiro, abrindo unidades de saúde e novos serviços dedicados para o atendimento de dengue. Começamos lá no início de Janeiro abrindo seis unidades no sábado e domingo para atender dengue. No último final de semana, abrimos três unidades e neste próximo, vamos abrir mais 16 unidades. Hoje também inauguramos o nosso hospital de campanha. Tudo para a conseguir atender a população, mas entendendo que estamos vivendo um período de guerra”, disse.
Atendimento rápido evita mortes
O subsecretário ainda enfatiza a importância do atendimento rápido e inicial dos pacientes com dengue.
“A nossa meta tem sido trabalhar com no máximo 24 horas para conseguir um leito hospitalar. Isso tem acontecido até esse momento com muito esforço. A abertura do hospital de campanha é justamente para ampliar essa oferta e garantir o atendimento a tempo. Estamos falando de uma doença que a principal ação é um atendimento rápido e inicial. Um atendimento que identifica a gravidade do quadro e já direcione esse paciente para o atendimento. Isso é fundamental para que não tenha mortes”, explicou.
Segundo Menezes, as ações para garantir o atendimento inicial de pacientes com dengue já mostram resultado. O subsecretário afirma que o número de mortes em 2024 já é menor, proporcionalmente, a 2016.
“Nesse momento a demanda de leitos é basicamente por leitos de enfermarias, leitos simples. Hoje, menos de 4% das solicitações são para leitos de CTI (Centro de Terapia Intensiva). A gente quer que seja dessa forma, exatamente por isso. A gente quer atender rápido a população, logo no início dos sintomas, fazer a hidratação necessária e evitar mortes”, comenta.
76% dos focos de dengue são domiciliares
A Prefeitura de BH afirma que vêm realizando ações de combate ao mosquito da dengue como a limpeza de lotes. Porém, o subsecretário de Saúde explica que 76% a 77% dos focos do mosquito estão dentro de domicílios.
“Esse é um dado de extrema importância. Neste final de semana tem o dia D federal e Belo Horizonte vai aderir. Várias ações vão ser feitas no sábado, como a repescagem dos domicílios que não conseguimos entrar no meio da semana. A gente precisa de chamar a população para o nosso lado. A população precisa avaliar os vasinhos de planta, as calhas e o lixo no quintal”, finalizou.
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