Mas afinal, bairros da mesma cidade podem “sentir” temperaturas diferentes? A pergunta pode parecer inusitada, mas é uma dúvida comum e a resposta é…sim! Termômetros localizados em pontos diferentes da mesma cidade podem registrar temperaturas com dois ou até mais graus de diferença (e isso é mais comum do que se pensa).
A Itatiaia conversou com Claudemir de Azevedo, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O especialista explicou que a altitude do local em que o termômetro está localizado, o ambiente a sua volta e até o asfalto podem influenciar nos números detectados.
“A Estação Cercadinho, em BH, está 1,1 mil metros acima do nível do mar, enquanto a Pampulha está 854 metros acima. Isso influencia. Além disso, há o microclima e as características de urbanização. O termômetro do Santo Agostinho fica em uma região cercada de prédios, muito vidro e asfalto. Na Pampulha, o termômetro fica em uma área descampada do Parque Ecológico. Já a Estação Cercadinho fica em uma área de preservação ambiental do Buritis.”
Durante a tarde de quarta (14), por exemplo, a Estação Cercadinho (bairro Buritis) registrou máxima de 28,6°C, enquanto a Estação Santo Agostinho chegou a 29,6°C e a Estação Pampulha mediu 30,5°C. Cada uma delas está em pontos diferentes da cidade, algumas cercadas de prédio e asfalto, outras cercadas de água e natureza.
Termômetros de rua medem temperatura mais alta?
Outra situação comum que sempre gera discussão na internet é a “temperatura máxima”. Sempre que uma cidade alcança um calor recorde, alguém comenta que o termômetro de outra cidade registrou temperatura maior. Neste caso, quem está certo? O termômetro de rua ou os dados do Inmet?
Claudemir de Azevedo explica que os aparelhos usados pelo Instituto Nacional de Meteorologia seguem padrões internacionais de medição: “eles precisam estar a uma determinada altura do solo, protegidos da radiação solar direta e do vento.”
Já os termômetros de rua, desses que decoram as cidades junto com relógios e publicidade, não seguem esse padrão e, muitas vezes, ficam horas sob o sol direto. Por isso, a temperatura acaba sendo mais alta, mas o número não é 100% fidedigno.
Dicas para se proteger durante a nova onda de calor
- Hidrate-se durante o dia;
- Prefira alimentos leves e frescos, como saladas, frutas, carnes grelhadas;
- Evite frituras;
- Durma em local arejado e umedecido por aparelhos umidificadores, ou ainda coloque uma bacia com água;
- Evite atividades físicas ao ar livre e exposição ao sol entre as 10 e 17 horas;
- Evite banhos com água muito quente, para não potencializar o ressecamento da pele, se necessário use hidratante;
- Em caso de problemas respiratórios procure um especialista;
- Não provoque queimadas em lotes vagos, matas ou florestas.
- Em caso de incêndio avise imediatamente, ao Corpo de Bombeiros (193), Defesa Civil (199) ou Polícia Militar (190).