Onda de calor em BH: bairros da mesma cidade ‘sentem’ temperaturas diferentes?

Meteorologista do Inmet explica que altura, ambiente no entorno e até o asfalto podem influenciar as medições feitas pelo órgão, que segue padrões internacionais

Belo Horizonte enfrenta sua quarta onda de calor em 2023

Belo Horizonte voltou a ser afetada por uma onda de calor e as temperaturas podem subir de 3 a 5 graus acima da média até domingo (17). Mas, nesses períodos de “calorão”, é comum moradores de bairros diferentes falarem que não notaram tanto as altas temperaturas ou até mesmo viram chuva em sua região.

Mas afinal, bairros da mesma cidade podem “sentir” temperaturas diferentes? A pergunta pode parecer inusitada, mas é uma dúvida comum e a resposta é…sim! Termômetros localizados em pontos diferentes da mesma cidade podem registrar temperaturas com dois ou até mais graus de diferença (e isso é mais comum do que se pensa).

A Itatiaia conversou com Claudemir de Azevedo, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O especialista explicou que a altitude do local em que o termômetro está localizado, o ambiente a sua volta e até o asfalto podem influenciar nos números detectados.

“A Estação Cercadinho, em BH, está 1,1 mil metros acima do nível do mar, enquanto a Pampulha está 854 metros acima. Isso influencia. Além disso, há o microclima e as características de urbanização. O termômetro do Santo Agostinho fica em uma região cercada de prédios, muito vidro e asfalto. Na Pampulha, o termômetro fica em uma área descampada do Parque Ecológico. Já a Estação Cercadinho fica em uma área de preservação ambiental do Buritis.”

Durante a tarde de quarta (14), por exemplo, a Estação Cercadinho (bairro Buritis) registrou máxima de 28,6°C, enquanto a Estação Santo Agostinho chegou a 29,6°C e a Estação Pampulha mediu 30,5°C. Cada uma delas está em pontos diferentes da cidade, algumas cercadas de prédio e asfalto, outras cercadas de água e natureza.

Termômetros de rua medem temperatura mais alta?

Outra situação comum que sempre gera discussão na internet é a “temperatura máxima”. Sempre que uma cidade alcança um calor recorde, alguém comenta que o termômetro de outra cidade registrou temperatura maior. Neste caso, quem está certo? O termômetro de rua ou os dados do Inmet?

Claudemir de Azevedo explica que os aparelhos usados pelo Instituto Nacional de Meteorologia seguem padrões internacionais de medição: “eles precisam estar a uma determinada altura do solo, protegidos da radiação solar direta e do vento.”

Já os termômetros de rua, desses que decoram as cidades junto com relógios e publicidade, não seguem esse padrão e, muitas vezes, ficam horas sob o sol direto. Por isso, a temperatura acaba sendo mais alta, mas o número não é 100% fidedigno.

Dicas para se proteger durante a nova onda de calor

  • Hidrate-se durante o dia;
  • Prefira alimentos leves e frescos, como saladas, frutas, carnes grelhadas;
  • Evite frituras;
  • Durma em local arejado e umedecido por aparelhos umidificadores, ou ainda coloque uma bacia com água;
  • Evite atividades físicas ao ar livre e exposição ao sol entre as 10 e 17 horas;
  • Evite banhos com água muito quente, para não potencializar o ressecamento da pele, se necessário use hidratante;
  • Em caso de problemas respiratórios procure um especialista;
  • Não provoque queimadas em lotes vagos, matas ou florestas.
  • Em caso de incêndio avise imediatamente, ao Corpo de Bombeiros (193), Defesa Civil (199) ou Polícia Militar (190).

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Jornalista formado pela UFMG, com passagens pela Rádio UFMG Educativa, R7/Record e Portal Inset/Banco Inter. Colecionador de discos de vinil, apaixonado por livros e muito curioso.

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