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Considerado o mestre de bateria mais longevo em atividade, com quase quatro décadas de comando, Ciça é a prova de que o samba é uma construção de resistência. Antes de ser o “maestro” de 282 ritmistas, ele foi mecânico de automóveis e iniciou sua jornada no Carnaval em 1971, como passista da Unidos de São Carlos.
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O chamado do tambor
A trajetória de Ciça quase foi interrompida pelo amor. Em 1977, após seu primeiro casamento, afastou-se da folia a pedido da esposa, que não se adaptava às madrugadas de ensaio. A distância, porém, durou pouco. Em 1986, o “bicho do samba” falou mais alto e ele retornou à Estácio como ritmista de agogô.
O destino mudou em 1988, quando recebeu o convite para assumir o apito. A estreia como mestre veio no ano seguinte e, em 1992, ele já levantava seu primeiro caneco com o histórico enredo “Pauliceia Desvairada”.
Enredo de simplicidade
A decisão da Viradouro de transformá-lo em enredo foi estratégica e afetiva. O desfile percorreu suas passagens marcantes por:
- Estácio de Sá (seu berço);
- União da Ilha, Grande Rio e Unidos da Tijuca;
- Unidos do Viradouro (onde acumulou glórias em 2020, 2024 e, agora, 2026).
Na concentração de 2026, Ciça reforçou sua fama de homem do povo. Fugindo de protocolos, o mestre acompanhou pessoalmente a descarga dos instrumentos, jogou baralho com seus ritmistas e improvisou um churrasco antes de entrar na Avenida.
Fim de uma promessa
Com a vitória confirmada nesta Quarta-feira de Cinzas, o mestre terá que cumprir uma promessa pessoal: parar de fumar. Próximo de completar 70 anos em julho, ele evita usar a palavra “aposentadoria”. Para Ciça, o Carnaval não é trabalho, é a extensão de sua própria casa.
A Viradouro, ao coroar seu mestre, coroou também a disciplina e a humildade. Em 2026, o “Mestre dos Mestres” provou que o melhor ritmo é aquele que bate em sintonia com a história de quem o criou.