Carnaval de trabalho: ambulantes esperam lucrar até R$ 2 mil com a folia

Em 2026, o número de ambulantes credenciados pela Prefeitura de Belo Horizonte bateu recorde, com um aumento de 12% em comparação ao ano passado

Com cerca de 12 mil ambulantes credenciados, o Carnaval de Belo Horizonte se transformou sinônimo de oportunidade para milhares de trabalhadores que buscam a folia para trazer uma renda extra às suas famílias. A Itatiaia foi às ruas nesta segunda-feira (16) para ouvir dos trabalhadores como eles se preparam para a festa e suas expectativas de vendas.

Os irmãos Célio e Celso Fonseca saíram de Ibirité, na Região Metropolitana de BH, para venderem leques, um adereço que se tornou indispensável para enfrentar o calor da folia, além de arcos e ‘chifres’ no bloco Baianas Ozadas, no Centro-Sul da capital. Segundo eles, o objetivo é terminar o período de carnaval com um lucro de até R$ 1.500, com a expectativa de zerar os estoques até o fim desta segunda.

Com uma promoção de um por R$ 30 e dois por R$ 50, os trabalhadores destacam que na terça-feira, último dia da festa, a procura já é mínima. “Graças a Deus nós vendemos para todos os públicos. Agora já estamos no final. Esse material deve ser vendido até na segunda-feira, e na terça já é ‘roia’. Nós começamos no início do carnaval e conseguimos boas vendas. Agora é pra fechar”, contou Célio.

O ambulante Pablo Costa, do Jardim Leblon, em Venda Nova, foi até a região do hipercentro enfrentar a concorrência no ramo das bebidas. Acompanhado da esposa, filha e cunhada, o trabalhador acordou 5 horas para se preparar. “A rotina é um pouco cansativa, mas prazerosa. A gente tem o prazer de estar compartilhando com o povo de Belo Horizonte”, disse.

O trabalhador explicou que as bebidas ficam gelando previamente e são colocadas no carrinho apenas na manhã do outro dia. Segundo ele, o carro-chefe das vendas é o tradicional Xeque Mate, uma mistura pronta de chá mate com rum e limão, que sai por R$ 20 a lata de 473 ml, e a lata de 362 ml sai por R$ 15. “Aqui acha de tudo”, brincou.

Agora, Costa espera tirar um lucro líquido, tirando os gastos, cerca de R$ 2 mil para ajudar nas despesas da casa. “Essa grana vai ajudar na minha obra que estou mexendo lá em casa, então vai ser importante. A família está sempre em primeiro lugar”, ressaltou o ambulante.

O trabalho em números

Em 2026, o número de ambulantes credenciados pela Prefeitura de Belo Horizonte bateu recorde, com um aumento de 12% em comparação ao último ano. Ao todo, 11.528 vendedores trabalharão durante o período da festa. Em 2025, a critério de comparação, foram 10.287 ambulantes credenciados.

Para comercialização das bebidas e adereços durante o período de Carnaval, é necessário que o vendedor respeite as normas descritas no edital, entre elas:

  • Proibição da venda de bebidas para menores de 18 anos;
  • Vedação de comercialização de alimentos, bebidas fracionada e em recipientes de vidro;
  • Permanência na dispersão após o término dos desfiles dos blocos de rua;
  • Proibição de venda e comercialização em eventos privados, ainda que em espaços públicos.

Uma pesquisa realizada pela Belotur, por meio do Observatório do Turismo, traçou o perfil dos ambulantes interessados em atuar no Carnaval de Belo Horizonte em 2026. O levantamento, feito entre os dias 12 e 19 de janeiro, contou com a participação de mais de 3.300 profissionais.

Segundo os dados obtidos, as mulheres são maioria entre os ambulantes. No entanto, a diferença é pouca. Enquanto elas representam 50,7% dos ambulantes, os homens correspondem a 48,9%.

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Mineiro de Urucânia, na Zona da Mata. Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Ouro Preto (2024), mesma instituição onde diplomou-se jornalista (2013). Na Itatiaia desde 2016, faz reportagens diversas, com destaque para Política e Cidades.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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