O Leão da Lagoinha, fundado em 1947, desfilou nesta segunda (16) na Rua Itapecerica, na Lagoinha, em BH. Este ano, o bloco que tem como tradição ter referências a orixás de matriz africana, prestou uma homenagem a Iemanjá, divindade conhecida como a rainha dos mares.
Segundo o presidente do bloco, Jairo Nascimento, a escolha é uma resposta à identidade do bairro: “Escolhemos esse tema porque o território da Lagoinha possui uma grandiosidade de casas, tendas e terreiros de matriz africana. Iemanjá cuida da cabeça e do coração, trazendo prosperidade e saúde mental”, explica Jairo.
Jeferson Santos, que é percursionista, falou sobre a emoção de tocar em um bloco com tantas raízes históricas e culturais: ‘Bom demais, uma maravilha’. O música também destacou que a batida empolgante ‘Vem da favela’.
O cortejo emocionou quem acompanhava a banda e reuniu foliões de diferentes gerações. Depois do desfile, o bloco seguiu para a Avenida dos Andradas. Por lá, o Leão da Lagoinha é responsável pela abertura oficial dos desfiles dos blocos caricatos e das escolas de samba da capital.
Tradição que atravessa décadas
Fundado em 1947, o Leão da Lagoinha é um pilar da história cultural de Belo Horizonte. Conhecido por sua irreverência, o bloco foi o precursor da famosa Banda Mole, surgida de uma separação em 1977.
Após um hiato de 32 anos, o Leão retornou às ruas em 2017 com a missão de resgatar a memória arquitetônica e boêmia da Lagoinha, região recentemente tombada como Patrimônio Municipal.