A escola de samba campeã do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro será revelada nesta Quarta-Feira de Cinzas (14). A apuração dos desfiles acontece a partir das 16h, na Cidade do Samba Joãosinho Trinta, no bairro da Gamboa, na Zona Central do Rio.
É a primeira vez que o evento acontece por lá. Desde a década de 1970, as notas eram tradicionalmente apuradas na Praça da Apoteose, na Marquês de Sapucaí. Uma das explicações para a mudança é que os barracões das escolas ficam todos na região da Cidade do Samba.
A avaliação dos jurados inclui nove quesitos avaliados, cada um, por quatro julgadores: Bateria, Samba-Enredo, Harmonia, Evolução, Enredo, Alegrias e Adereços, Fantasias, Comissão de Frente, Mestre-Sala e Porta-Bandeira.
Quem são as favoritas ao título?
Os desfiles do Grupo Especial ocorreram no domingo (11) e segunda-feira (12). A escola de samba Porto da Pedra abriu o primeiro dia, seguida pela Beija-Flor, Salgueiro, Grande Rio, Unidos da Tijuca e Imperatriz Leopoldinense, a atual campeã.
Se apresentaram no segundo dia as escolas: Mocidade Independente de Padre Miguel, Portela, Vila Isabel, Mangueira, Paraíso do Tuiuti e Viradouro.
Unidos do Viradouro
A Viradouro encerrou a segunda noite de desfiles com uma apresentação “quase perfeita”, na visão de especialistas e do público.
A escola de Niterói levou para a avenida o enredo “Arroboboi, Dangbé!”, liderado pelo carnavalesco Tarcísio Zanon.
O desfile contou sobre o mito de uma serpente vodum, que se tornou uma divindade após uma épica batalha entre reinos da antiga região da Costa da Mina, na África.
Comissão de frente da Viradouro tinha serpente que rastejava pela Sapucaí
Um dos destaques da apresentação foi a comissão de frente. Uma serpente gigante - que era controlada por um dos integrantes da escola, que rastejava no chão - surgia entre o balé e encantou a Sapucaí.
A escola se apresentou sem grandes problemas de evolução e harmonia. O samba também “pegou” na avenida e foi bastante cantado pelos componentes e público.
A bateria, comandada pelo mestre Ciça, incluiu o toque de atabaques e foi um dos pontos altos da noite. Quem representou a escola de Niterói, que luta pelo tricampeonato, foi a rainha de bateria mineira, Erika Januza.
Imperatriz Leopoldinense
Outra grande favorita ao título é a atual campeã Imperatriz Leopoldinense. Em busca do bi-campeonato, a escola encerrou os desfiles do primeiro dia, no sábado (11).
Inspirada na obra ficcional “O Testamento da Cigana Esmeralda”, do poeta pernambucano de cordel Leandro Gomes de Barros, a escola explorou o imaginário em torno do universo cigano.
O enredo, intitulado de “Com a Sorte Virada pra Lua”, foi marcado pela exuberância do carnavalesco Leandro Vieira.
A comissão de frente da escola foi um dos destaques da primeira noite. A personagem principal da história, a cigana Esmeralda, saía de dentro de uma fogueira e “flutuava”. A comissão também contou com um balão, que representava a lua, e carregava uma bailarina, a cerca de 10 metros de altura.
Balão da comissão de frente da Imperatriz Leopoldinense carregava bailarina a cerca de 10 metros de altura
A bateria do mestre Lolo e o intérprete Pitty de Menezes também chamaram atenção. A bateria incluiu batidas de samba de roda e fez paradinhas durante o desfile para ouvir a escola e o público cantar o samba-enredo.
No fim do desfile, enquanto o dia amanhecia, o público fez o tradicional “arrastão” pela Sapucaí - quando as pessoas descem das arquibancadas e vão para a avenida acompanhar a última escola. No desfile da Imperatriz, em um perfeito encaixe com céu clareando, o público cantava o refrão “Vai clarear/Olha o povo cantando na rua/A Imperatriz/Desfila com a sorte virada pra Lua”.
Portela, Grande Rio, Vila Isabel, Mangueira e Beija-Flor também foram destaques
As outras escolas de samba que estão na disputa pelo título de Campeã do Carnaval carioca de 2024 são: Portela, Grande Rio, Vila Isabel, Mangueira e Beija-Flor. Apesar de não serem apontadas como as principais favoritas, elas podem lutar pelo alto da tabela para tentar voltar para a Sapucaí no Desfile das Campeãs.
A Portela apresentou o enredo “Um defeito de cor”, baseado no livro homônimo de Ana Maria Gonçalves. No romance, Kehinde, mulher escravizada na África, que viveu boa parte da vida no Brasil, procura um filho perdido, que seria Luiz Gama, famoso abolicionista, jornalista, poeta e advogado brasileiro.
Já a Grande Rio abordou a cultura indígena. O enredo “Nosso Destino É Ser Onça” abordou a mitologia tupinambá.
A Unidos de Vila Isabel apresentou o enredo “Gbalá — viagem ao Templo da Criação”, liderado pelo carnavalesco Paulo Barros. A história foi uma reedição do enredo que foi trazido para a avenida em 1993.
Nos 50 anos de carreira da cantora Alcione, a Mangueira celebrou a vida da “Marrom” na avenida, por meio do enredo “A negra voz do amanhã”. Ícone do samba, da música brasileira e da escola do morro da Mangueira, Alcione teve a infância no Maranhão e a construção da vida artística no Rio de Janeiro representadas.
A Beija-Flor trouxe o enredo “Um delírio de Carnaval na Maceió de Rás Gonguila” para a Sapucaí. A história de Benedito dos Santos, que ficou conhecido como Rás Gonguila, foi contada ao público no primeiro dia de desfiles. Nascido na capital alagoana, ele afirmava ser descendente direto do último imperador da Etiópia.
*Com informações da Agência Brasil
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