O
dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, deixou o Centro de Detenção Provisória (CDP) 2 de Guarulhos na manhã deste sábado (29), após decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), que também determinou a soltura de outros quatro executivos da instituição. A Itatiaia teve acesso às imagens que registram o momento exato em que o banqueiro deixou o sistema prisional, por volta das 11h40.
Nas fotos, Vorcaro aparece usando
tornozeleira eletrônica, camisa branca, boné e carregando uma pequena bolsa. Ele saiu acompanhado por advogados e escoltado por agentes do sistema prisional. Na saída, não falou com a imprensa.
Mesmo em liberdade, o dono do Banco Master terá que cumprir medidas restritivas: usar tornozeleira eletrônica, não manter contato com outros investigados, não deixar o município onde reside e permanecer sem o passaporte. Ele também está proibido de exercer atividades ligadas ao setor financeiro.
Daniel Vorcaro foi preso pela
Polícia Federal no último dia 17, por volta das 22h, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando embarcaria para Dubai para fechar negócios. Ele chegou a ser levado para uma cela na Superintendência da PF e, na segunda-feira (24), foi transferido para um presídio em Guarulhos.
Entenda porque o banqueiro foi solto
De acordo com a decisão, a
desembargadora Solange Salgado afirmou que, após avaliar “fatos novos” e a documentação apresentada pela defesa de Vorcaro nos pedidos de reconsideração, “constato que não se mantêm mais os requisitos para a continuidade da medida cautelar extrema, sendo atualmente apropriada a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares diversas”.
Entretanto, Salgado ressalta que é “incontestável a gravidade dos fatos e o significativo valor financeiro envolvido” e, por essa razão, é necessário aplicar medidas cautelares “fortes” para impedir que haja repetição da conduta, assegurar a ordem econômica e a continuidade da ação penal, além de mitigar o risco de fuga.
A desembargadora também estendeu a decisão aos demais executivos do Banco Master presos na Operação Compliance Zero.
O que motivou a prisão do bancário e outros executivos
O banqueiro foi preso no âmbito da
Operação Compliance Zero, que tem como objetivo combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional. A investigação aponta que o Banco Master estaria envolvido na venda de títulos de crédito falsos, como Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), que prometiam um retorno irreal de até 40% acima da taxa básica do mercado.
As apurações começaram em 2024, após uma requisição do Ministério Público Federal para apurar a
possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Esses títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.
Os investigados podem responder por crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa, entre outros.