Jairinho pede novo adiamento do júri, recua, e julgamento é retomado nesta segunda (25)
O réu alegou que não teria condições de ser julgado após o infarto do advogado Fabiano Lopes

A retomada do julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior e de Monique Medeiros, nesta segunda-feira (25), no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio de Janeiro, começou marcada por um novo pedido de adiamento feito por Jairinho.
O réu alegou que não teria condições de ser julgado após o infarto do advogado Fabiano Lopes, ocorrido no último sábado. Segundo Jairinho, o defensor seria o profissional com maior conhecimento sobre o processo.
“Fica impossível ser defendido, pois o advogado que infartou é quem tem conhecimento dos fatos para mostrar aos jurados toda a verdade que está ocorrendo. Eu queria muito começar esse plenário e terminar, mas infelizmente eu não posso por estar sem defesa”, declarou.
Jairinho afirmou ainda que não teria outra alternativa diante da ausência do advogado principal.
A declaração, porém, entrou em contradição com o posicionamento da própria defesa. Pouco antes, no plenário, o advogado Zanone afirmou que os representantes legais do ex-vereador estavam preparados para seguir normalmente com o julgamento, mesmo sem a presença de Fabiano Lopes.
Após anunciar que destituiria os advogados, Jairinho voltou atrás e decidiu manter a equipe de defesa para evitar a interpretação de que estaria tentando impedir a realização do júri. Ele também incluiu o próprio filho, que é advogado, na defesa.
Juíza se manifesta

Ao anunciar o adiamento, a magistrada afirmou que o tribunal se tornou “refém” das sucessivas tentativas de postergação do processo.
“Estamos mais uma vez diante de uma imposição indeclinável de adiamento da sessão de julgamento. Ao me referir à imposição, pretendo destacar que as inúmeras tentativas de protelar o julgamento deste processo fazem não só desta julgadora, mas de todos os demais envolvidos no processo, reféns dele, mais grave, por iniciativa de uma só das partes”, declarou.
A juíza ressaltou ainda que não poderia dar continuidade ao julgamento sem que todos os réus estivessem devidamente representados por advogados habilitados.
Segundo Elizabeth Machado Louro, houve uma “sutil modificação” no andamento do processo quando Jairinho decidiu desconstituir os próprios defensores durante a sessão.
A magistrada também afirmou que os prejuízos das interrupções atingem não apenas os profissionais envolvidos no júri, mas toda a sociedade.
“Mais grave ainda é o fato de que reféns não se fazem somente aos profissionais ligados ao julgamento do processo, mas principalmente toda a sociedade, que anseia por um desfecho, seja ele qual for, e faz jus a ver a Justiça se pronunciar”, disse.
Julgamento
O julgamento teve início por volta das 11h, com cerca de duas horas de atraso. A expectativa é que a sessão dure entre cinco e dez dias.
Jairinho e Monique são réus pela morte do menino Henry Borel, de quatro anos, ocorrida em março de 2021, na Barra da Tijuca. A perícia descartou morte acidental e apontou sinais de tortura.
Relembre

O caso aconteceu em 8 de março de 2021. O menino Henry Borel, então com 4 anos, morreu no apartamento onde morava com a mãe e o então padrasto, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. As investigações apontaram que ele chegou ao Hospital Barra D’Or já sem vida.
Médicos identificaram lesões incompatíveis com a versão apresentada inicialmente pelo casal e acionaram a polícia. Os laudos do Instituto Médico-Legal apontaram que o menino sofreu 23 lesões por agressão física extrema e hemorragia interna no fígado.
A perícia descartou a hipótese de morte acidental e apontou sinais de tortura. A acusação sustenta que Henry foi vítima de agressões praticadas por Jairinho de forma intencional e repetida, e que os ataques provocaram a morte da criança. Em relação a Monique, os promotores afirmam que ela se omitiu diante da violência sofrida pelo filho, mesmo tendo conhecimento das agressões.
Os promotores também afirmam que os réus tentaram dificultar as investigações, intimidando testemunhas e promovendo alterações na cena do crime.
Já a defesa de Jairinho nega a autoria do homicídio e sustenta que as lesões fatais encontradas no corpo de Henry podem ter sido provocadas por manobras médicas durante a tentativa de reanimação da criança. Os advogados do ex-vereador também argumentam que Henry poderia ter sofrido uma queda acidental.
A defesa de Monique, por sua vez, tenta desvincular a conduta dela da de Jairinho, afirmando que ela era manipulada pelo ex-vereador e não tinha conhecimento das agressões contra o filho.
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.
Diana Rogers tem 34 anos e é repórter correspondente no Rio de Janeiro. Trabalha como repórter em rádio desde os 21 anos e passou por cinco emissoras no Rio: Globo, CBN, Tupi, Manchete e Mec. Cobriu grandes eventos como sete Carnavais na Sapucaí, bastidores da Copa de 2014 e das Olimpíadas em 2016.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.


