Belo Horizonte
Itatiaia

Caso Henry Borel: MP irá apresentar recurso contra perdão judicial a Monique Medeiros

Monique teve a acusação desclassificada de homicídio doloso (quando há intenção de matar) para homicídio culposo (quando não há intenção de matar) e recebeu o perdão judicial

Por
Brunno Dantas/TJRJ.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) irá recorrer à Justiça contra a decisão que concedeu perdão judicial à mãe do menino Henry Borel, Monique Medeiros. Ela deixou o Presídio Feminino Talavera Bruce, no Complexo Penitenciário de Gericinó, na última quinta-feira (4).

A acusação contesta a decisão da juíza Elizabeth Louro, que concedeu o perdão à mãe da criança de quatro anos, morta em 8 de março de 2021.

Monique teve a acusação desclassificada de homicídio doloso (quando há intenção de matar) para homicídio culposo (quando não há intenção de matar) e recebeu o perdão judicial. Ela foi condenada a um ano e quatro meses de prisão por omissão diante dos atos de tortura praticados contra o filho.

A ré, no entanto, já havia cumprido o período correspondente à pena durante a prisão preventiva e, por isso, a punição foi considerada extinta.

Na decisão, a juíza responsável pelo caso afirmou que Monique sofreu "misoginia" ao longo do processo, sendo vítima de um "massacre" por parte da opinião pública após a morte do filho.

Veja vídeo:

De acordo com a magistrada, a mãe de Henry Borel recebeu um tratamento mais severo por ser mulher e não contribuiu de forma intencional para o crime.

Para que Monique volte a ser julgada por homicídio doloso contra o próprio filho, o Ministério Público precisará pedir a anulação da decisão do júri.

O julgamento terminou na madrugada de quinta-feira, após onze dias de depoimentos e sustentações da acusação e da defesa.

O padrasto de Henry Borel, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, foi condenado a 43 anos, nove meses e 20 dias de prisão pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação.

Por

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.