Tragédia na Zona da Mata: mortes por chuvas sobem para 47 em Juiz de Fora e Ubá

41 vítimas foram registradas em Juiz de Fora, onde 18 pessoas seguem desaparecidas; em Ubá, são seis mortes confirmadas e dois desaparecidos

Bombeiros seguem em busca de pessoas desaparecidas em Juiz de Fora e Ubá

O número de mortes provocadas pelas chuvas em Juiz de Fora e Ubá, na Região da Zona da Mata, em Minas Gerais, subiu para 47, conforme último balanço divulgado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) na noite desta quarta-feira (25).

De acordo com o levantamento, são 41 vítimas em Juiz de Fora, onde 18 pessoas continuam desaparecidas. As outras seis mortes foram confirmadas em Ubá, onde a corporação procura por outros dois desaparecidos.

A operação do CBMMG teve início na noite da última segunda-feira (23). Ao todo são mais de 50 horas de trabalhos, que mobilizam 126 militares.

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Em entrevista à Itatiaia nesta quarta-feira (25), o tenente Henrique Barcellos, porta-voz do Corpo de Bombeiros, afirmou que as chances de encontrar sobreviventes em Juiz de Fora e Ubá diminuíram com o passar do tempo, embora as buscas não tenham sido interrompidas.

Um volume intenso de chuva entre segunda (23) e terça (24) provocou estragos em cidades da Zona da Mata, com deslizamentos de terra e alagamentos; mais de 3.400 pessoas ficaram desabrigadas ou desalojadas apenas em Juiz de Fora. Em Ubá são 204.

Em nota, a Prefeitura de Juiz de Fora informou que 800 pessoas terão que deixar as próprias casas após vistoria da Defesa Civil nesta quarta-feira (25).

Chuvas muito acima da média em Juiz de Fora

Ainda na madrugada de terça-feira (24), a Prefeitura de Juiz de Fora decretou estado de calamidade pública diante da gravidade das chuvas intensas e persistentes que atingem o município.

Segundo a administração municipal, o volume acumulado chegou a 584 milímetros, tornando fevereiro o mês mais chuvoso da história da cidade.

Em alguns bairros, o acumulado em poucas horas foi extremo, com pico de cerca de 186,1 milímetros no bairro Nossa Senhora de Lourdes e registros entre 130 mm e 170 mm em outras regiões.

Para se ter uma ideia, a média esperada para todo o mês de fevereiro em Juiz de Fora, segundo o Inmet, é de 170,3 mm.

A situação provocou transbordamentos históricos, com o Rio Paraibuna fora da calha, córregos cheios, bairros ilhados e, até o momento, 20 registros de soterramentos, principalmente na região Sudeste do município.

Imagens impressionantes em Ubá

Já Ubá, que fica a cerca de 100 km de Juiz de Fora, registrou aproximadamente 170 milímetros de chuva em cerca de três horas, de acordo com a Prefeitura. O volume elevado provocou a maior inundação dos últimos anos.

O Rio Ubá atingiu 7,82 metros, causando alagamentos e inundações em uma extensa área urbana, com impacto em diversos bairros, ruas e estabelecimentos comerciais, além de comprometer a prestação de serviços essenciais. A cidade também decretou estado de calamidade pública.

Por lá, imagens impressionantes mostram caixões sendo levados pela força da enxurrada, carros arrastados de uma concessionária e idosos sendo resgatados de uma casa de repouso.

Matias Barbosa

A Prefeitura de Matias Barbosa também suspendeu os serviços de educação e saúde e decretou estado de calamidade pública. Imagens aéreas mostram a cidade completamente alagada.

Com cerca de 14 mil habitantes, o município fica a aproximadamente 10 km de Juiz de Fora (MG) e 120 km de Ubá. O nível da água subiu rapidamente, pegando moradores de surpresa. O comércio local ficou totalmente inundado, resultando em perda total de estoques e equipamentos, além de deixar a cidade isolada.

O que provocou a chuva

Segundo o coordenador-geral do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Marcelo Celutci, a situação é resultado da combinação de uma massa de ar muito úmida, a passagem de uma frente fria e a temperatura do mar acima do normal, o que aumenta a instabilidade atmosférica e favorece chuvas intensas a qualquer momento.

Apesar da previsão ampla, os eventos extremos tendem a ser localizados, e Juiz de Fora foi mais afetada por fatores como topografia complexa e encostas voltadas para o oceano, que recebem diretamente a umidade marítima.

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Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.
Jornalista formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH) e pós-graduado em Jornalismo nos Ambientes Digitais pela mesma instituição. Possui experiência como repórter, produtor e coordenador de telejornal.
Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo
Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está na editoria de cidades.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o ‘Tá Sabendo’ no Instagram da Itatiaia.

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