O personal trainer Artur Maia, de 31 anos, foi absolvido em segunda instância pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais das acusações de assédio sexual, violência psicológica e vias de fato. O caso ocorreu em agosto de 2023, em uma academia de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e teve ampla repercussão na mídia.
À época, a então aluna afirmou à polícia e à Justiça que teria sido vítima de importunação sexual durante a execução de um exercício de ombro, alegando que foi “encochada” pelo instrutor no momento em que ele a auxiliava.
Ela também acusou o personal trainer de agressão física, com um suposto soco nas costas, além de violência psicológica, com xingamentos e humilhações.
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No julgamento, o desembargador Glauco Fernandes entendeu que não há caráter sexual nas imagens registradas e concluiu que não existem provas suficientes para sustentar as acusações de agressão física e psicológica. Com isso, Artur Maia foi absolvido.
Em entrevista à Itatiaia, o advogado Luís Henrique Fraga, que atua na defesa do personal trainer, afirmou que, ao longo do inquérito policial e do processo judicial, a defesa conseguiu demonstrar inconsistências nos relatos apresentados pela denunciante.
“Ao longo do processo do inquérito policial, nós demonstramos que os fatos que ele estava sendo acusado não ocorreram. Vários relatos apresentados pela suposta vítima, tanto na imprensa quanto no processo, foram confrontados em juízo. O que se verificou foi uma série de contradições em inconsistência com as provas dos autos”, afirmou.
Segundo o advogado, a versão apresentada pela denunciante teria mudado ao longo da instrução processual.
“A versão apresentada desde o início foi se modificando ao longo do processo”, completou.
A defesa também destacou a juntada de cerca de 138 prints de conversas trocadas entre Artur Maia e a aluna. Para Luís Henrique Fraga, o material foi determinante para esclarecer a relação entre as partes.
“Esses prints foram fundamentais para comprovar a relação que ambos tinham e também esclarecer detalhes importantes relacionados aos fatos investigados”, disse.
Sobre a acusação de agressão física, o advogado ressaltou que o exame de corpo de delito não constatou qualquer lesão, o que contradiz os relatos da denunciante.
“Em um momento ela falava em soco, depois em tapa. Essa versão não se sustentou, porque o exame de corpo de delito não identificou nenhuma lesão, nem mesmo equimose”, afirmou.
Outro advogado do personal trainer, Felipe Brandão, informou que a defesa pretende ingressar com uma ação de indenização contra a denunciante.
“Nós pretendemos, sim, entrar com uma ação para buscar a reparação dos danos sofridos por ele, tanto na vida pessoal quanto profissional, com perda econômica e de clientes”, declarou.
Artur Maia afirmou estar aliviado com a decisão da Justiça e disse que ficou surpreso ao tomar conhecimento da denúncia.
“Foi uma surpresa muito grande, porque eu acreditava que tinha uma boa relação com ela, assim como tenho com todos os meus alunos. Quanto mais informações apareciam, mais assustado eu ficava”, relatou.
O personal trainer também afirmou que sofreu ameaças ao longo do processo e que houve impacto direto em sua carreira.
“Tive ameaças de familiares dela, de pessoas na internet e até na rua. Minha casa foi apedrejada. E perdi cerca de 60% da minha clientela naquele período”, disse.