‘Motoqueiro Fantasma de BH': a história por trás do personagem mascarado que viralizou nas redes

João Oliveira é servidor público e, nas horas vagas, se dedica a levar diversão para crianças com deficiência e idosos pelas ruas da capital mineira

‘Motoqueiro Fantasma’ participa de projetos sociais e consquista fãs pelas ruas de BH

Com mais de 40 mil seguidores nas redes sociais, João Oliveira é o rosto por trás do motoqueiro fantasma’ que viralizou na internet na última semana. Na ocasião, o homem foi filmado por uma motorista que ficou sem gasolina durante a noite em Belo Horizonte. O motociclista parou para tentar ajudar, mas a aparência inusitada chamou a atenção.

A figura é imponente: moto grande, roupa preta, corrente no peito e uma caveira que, à primeira vista, pode assustar. Mas, além da máscara, está um homem de 57 anos, servidor público e voluntário em projetos sociais voltados, principalmente, a crianças com deficiência e idosos.

Como surgiu o ‘motoqueiro fantasma’?

Em pouco mais de três meses, o personagem criado sem pretensão já soma cerca de 45 mil seguidores no Instagram e atrai fãs pelas ruas da capital mineira. João, no entanto, faz questão de dizer que a repercussão nunca foi o objetivo principal. “Isso aí foi acontecendo. Eu não tinha intenção nenhuma de viralizar. Eu já tinha a máscara e o resto foi ganhando forma aos poucos”, contou o personagem em entrevista à Itatiaia.

A construção do visual veio a partir da influência de amigos de um motogrupo do qual ele faz parte. “Eu ia para os ‘rolês’ e o pessoal falava: ‘está parecendo um motoqueiro fantasma’. Aí disseram que só faltava a jaqueta de couro, depois a corrente, depois a bota. Quando vi, o cosplay estava completo”, relembra o motoqueiro.

Apesar da estética sombria, João promete desconstruir a imagem de medo associada à caveira. “Muita gente não conhece o significado. A caveira não representa maldade. Muito pelo contrário, ela significa igualdade. É símbolo de quase todos os motoclubes”, explica. “Pode até passar um certo medo no começo, mas não é isso que ela carrega”.

Na prática, a reação do público confirma o discurso. Segundo ele, o receio é minoria. “Posso te dizer que 90% das pessoas se aproximam. Crianças, inclusive. Se você olhar, a maioria das minhas fotos é com criança. Elas pedem foto, chegam perto, abraçam.”

Ações sociais

Com o aumento da repercussão, João Oliveira ressaltou que o seu personagem, o ‘motoqueiro fantasma’, começou a ser convidado para uma série de eventos sociais. Nesses ambientes, João ressaltou a relação criada com crianças com deficiência

O homem já participou de ações na Casa de Apoio Padre Eustáquio, na região da Pampulha, que acolhe crianças em tratamento de saúde, além de eventos como o Inclusão Sobre Rodas, em Sabará, na Grande BH.

Em um dos eventos mais marcantes, ele foi convidado para uma ação de cosplay e inclusão social. “Tinha um amigo vestido de Batman que virou pra mim e falou: ‘eu quero você lá’. Eu fui com todo prazer”, lembra. “Na chegada, as crianças vieram me abraçar. Eu não acolhi elas, elas me acolheram. Foi impagável o sentimento que eu tive”.

Além do hobby, João enxerga o cosplay como uma missão social e se compromete em espalhar o bem com sua fantasia. “Eu me sinto realizadíssimo. Posso ser um anti-herói, mas eu não faço o mal. O motoqueiro fantasma não prega o mal.”

Desafios

Apesar dos fãs e da grande repercussão, João conta que vestir a fantasia não é tão fácil assim. O motoqueiro relata que o calor é intenso e o esforço físico é grande. “Já cheguei a quase desidratar. A transpiração é tão grande que perco muito líquido. Mas é tão gratificante que eu nem sinto. Vale tudo”.

Outro desafio que João enfrenta é a busca pelo anonimato. “Antes do motoqueiro fantasma, tem o João. Mas eu prefiro não me mostrar. Quero que o personagem continue”.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

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