Homem que decapitou a própria mãe em BH disse que 'ouviu vozes' ordenando o crime
Suspeito teve a prisão preventiva mantida pela Justiça e relatou histórico de esquizofrenia diagnosticada em Portugal

A Justiça manteve a prisão preventiva de Ritchie Glaycon Rodrigues Viana, de 27 anos, preso em flagrante por matar e decapitar a própria mãe, Jussara Maria Rodrigues da Cruz, de 54 anos, no bairro Ermelinda, na Região Noroeste de Belo Horizonte. Os autos do processo, divulgados nessa quarta-feira (24), revelam detalhes narrados pelo suspeito no momento em que ele cometeu o crime e de sua prisão.
Segundo a decisão judicial, o suspeito afirmou durante interrogatório que "ouviu uma voz" momentos antes de executar o crime. A suposta voz estaria ordenando que Ritchie matasse a própria mãe. O suspeito também declarou possuir diagnóstico de esquizofrenia feito em Portugal, onde viveu por alguns anos, e admitiu que não fazia acompanhamento psiquiátrico nem utilizava regularmente medicação psiquiátrica recomendada.
Ainda de acordo com o depoimento, Ritchie disse que mantinha uma relação difícil com a mãe e que, embora não tenha ocorrido discussões com a vítima antes do crime, já havia decidido matá-la. O suspeito afirmou que entrou no quarto enquanto a vítima dormia, a estrangulou e, em seguida, buscou uma faca na cozinha para golpeá-la diversas vezes antes de decapitá-la.
"O investigado declarou que ouviu uma voz ordenando que matasse sua mãe. Narrou que, ao ingressar no quarto, ela estava dormindo, ocasião em que a estrangulou. Em seguida, dirigiu-se à cozinha, apanhou uma faca e retornou ao quarto, onde passou a desferir golpes contra a vítima. Relatou que, após a morte, decapitou o corpo. Acrescentou que, durante as agressões, sua mãe dizia que lhe daria dinheiro", detalha o processo.
A decisão que converteu a prisão em flagrante em preventiva destaca ainda a extrema violência empregada no crime. A perícia constatou múltiplas lesões provocadas por instrumento perfuro cortante na face, tórax, abdômen e membros da vítima, além da decapitação e de uma lesão contundente na região da sobrancelha.
Familiares relataram que o comportamento do suspeito vinha preocupando parentes. Em entrevista à Itatiaia, um tio afirmou que Ritchie havia tentado agredir a mãe cerca de duas semanas antes do assassinato.
O irmão da vítima, policial reformado, declarou nunca ter presenciado um ato de tamanha crueldade. Após a prisão, a Justiça determinou que o investigado permaneça recolhido no Centro de Apoio Médico e Pericial (CAMP), em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
O magistrado também ordenou acompanhamento psiquiátrico e a adoção das medidas necessárias para avaliar sua condição mental por meio de perícia especializada.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



