Médicos do Hospital Odilon Behrens pedem suspensão da redução de pediatras na unidade
Hospital afirma que médicos pediatras têm atendido, em média, apenas uma criança por hora e, deste modo, a redução não impacta o sistema e se mostra necessária

A Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Belo Horizonte vai pedir à prefeitura e a gestão do Hospital Odilon Behrens, na Região Noroeste da Capital, que suspenda a redução de pediatras na unidade. Os médicos da unidade alegam que a medida pode gerar impactos no atendimento. Por outro lado, o hospital afirmou que médicos pediatras têm atendido, em média, apenas uma criança por hora e, deste modo, a redução não impacta o sistema e se mostra necessária.
O tema foi discutido nesta quarta-feira (12), pela Comissão de Saúde e Saneamento da Câmara Municipal de Belo Horizonte, em audiência pública solicitada pelo vereador Dr. Bruno Pedralva (PT). A redução ocorre desde o fim da situação emergência, decretada no último dia 6, após queda de atendimentos por síndromes respiratórias. O hospital é de alta complexidade, e referência no atendimento de casos de crianças vítimas de violência sexual.
Durante a audiência pública na Câmara, Raquel Felisardo Rosa, superintendente do Complexo Hospitalar Odilon Behrens (HOB), afirmou que não há necessidade de aumentar a quantidade de pediatras na unidade, uma vez que não há uma demanda robusta pela especialidade na unidade hospitalar.
"No ano passado, tinha uma média de 94 pacientes por dia, dividido pelo quantitativo de profissionais, no máximo 10, dá menos de 1 paciente por hora para ser atendido por esse profissional de porta. E comparei com o atendimento de 2026 e foi um pouco menor a pressão de porta em relação ao ano passado, dando um quantitativo de 0,7, 0,9, menos de 1 paciente por hora. Isso foi na sazonalidade. Então, sim, tô falando no primeiro atendimento de sazonalidade, é menos de 1 paciente por hora. Quando eu pego fora da sazonalidade, esse número fica menor. Então, eu tenho mais pediatra do que criança entrando por hora", explicou.
O vereador que convocou a audiência, Dr. Bruno Pedralva (PT), afirmou que a redução é preocupante, e os dados apresentados pelo hospital, não condizem com a realidade.
"Foi uma redução no quadro geral de pediatras. A gente tinha seis pediatras de plantão no plantão diurno e cinco no plantão noturno. O quadro foi reduzido para quatro de plantão durante o dia e três no plantão noturno. O que a gente pondera, como eu disse, os números apresentados não traduziram a realidade, porque afinal de contas a gente tem reavaliações, tem caminhamentos de outras clínicas, tem os casos complexos", disse.
Já Ariete Domingues de Araújo, diretora do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais, e da Sociedade Mineira de Pediatria, defendeu que a qualidade de atendimento seja mantida, independente dos dados.
"Olha, os números podem ser interpretados de várias maneiras. E o que a gente não pode perder é a qualidade assistencial. Hoje a gente vê que a dificuldade de você recompor uma escala é muito grande. Então, se você perde um profissional, você não recupera mais. Então a gente tem que manter a qualidade assistencial, manter o profissional. O Odilon é um hospital de alta complexidade", explicou.
Pediatra concursada do Odilon, Ludmila Machado Ferráz, afirmou que justificativa da prefeitura, que diz haver baixo número de atendimentos pediátricos, não se sustenta.
"Não, não condiz. O atendimento de um pronto-socorro é, em primeiro lugar, algo imprevisível. E ele varia ao longo do dia. Então, em alguns horários os atendimentos realmente são em pequena monta, mas isso vai aumentando ao longo do dia, em que alguns horários acumulam-se atendimentos porque chegam-se muitas pessoas ao mesmo tempo no pronto-socorro. Então, tem horas que a gente realmente tem poucos atendimentos, mas tem horas que a gente tem muitos atendimentos", esclareceu.
Em nota, a prefeitura explicou que o hospital mantém o atendimento conforme critérios técnicos, garantindo a segurança dos pacientes, explicou que há variação na quantidade de atendimentos conforme a sazonalidades, e que os índices do hospital melhoraram muito. Apesar do aumento de casos respiratórios em crianças, comum nesta época do ano, a prefeitura alegou que a procura por atendimento pediátrico, a unidade não registrou pressão assistencial que comprometesse os cuidados necessários aos pacientes.
Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.



