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Médicos do Odilon Behrens manifestam preocupação com redução de pediatras nos plantões

Profissionais afirmam que diminuição da equipe pode aumentar a sobrecarga; Câmara de BH debate o tema nesta quarta-feira (12)

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Homem está internado no Odilon Behrens
Breno Pataro/PBH

Médicos do Hospital Metropolitano Odilon Behrens (HOB) manifestaram preocupação com a redução do número de pediatras nos plantões do pronto atendimento da unidade, em Belo Horizonte. Segundo os profissionais, a mudança pode aumentar a sobrecarga da equipe e comprometer a segurança e a qualidade da assistência prestada às crianças.

O tema esta sendo discutido nesta quarta-feira (12), pela Comissão de Saúde e Saneamento da Câmara Municipal de Belo Horizonte, em audiência pública solicitada pelo vereador Dr. Bruno Pedralva (PT).

Em manifestação encaminhada à Câmara, os médicos afirmam que o pronto atendimento pediátrico do HOB recebe pacientes de diferentes níveis de complexidade, incluindo crianças encaminhadas por UPAs de Belo Horizonte, da Região Metropolitana e de outras cidades de Minas Gerais.

Os profissionais argumentam que a redução da equipe não significa apenas um aumento no número de pacientes atendidos por médico, mas também uma maior concentração de casos complexos para cada plantonista.

“Não se trata simplesmente de atender um número maior de pacientes, mas de realizar um maior número de atendimentos complexos, simultaneamente, sob pressão e com necessidade de vigilância permanente”, afirmam os médicos no documento.

Médicos citam dificuldade de abordagem em casos de violência

Entre as situações apontadas pelos profissionais estão os atendimentos envolvendo suspeita ou confirmação de violência e abuso sexual contra crianças e adolescentes.

Segundo a manifestação, esses casos exigem uma abordagem diferenciada, com avaliação clínica, acolhimento da vítima e da família, documentação, comunicação com equipes multiprofissionais e acionamento de órgãos como Conselho Tutelar e Polícia Militar.

Os médicos afirmam que a redução da equipe poderia colocar o profissional diante da necessidade de escolher entre dedicar o tempo necessário a um caso complexo ou acelerar o atendimento para absorver a demanda da porta de entrada.

“Essa é uma situação que não deve ser banalizada em um serviço de emergência pediátrica”, afirmam.

Os profissionais também alertam para os efeitos da sobrecarga sobre a própria equipe, citando risco de esgotamento, adoecimento e afastamentos.

HOB recebe pacientes de alta complexidade

Outro argumento apresentado pelos médicos é que o número total de atendimentos não seria suficiente para dimensionar a necessidade de profissionais na pediatria.

Segundo eles, crianças podem apresentar deterioração rápida do quadro clínico e, em muitos casos, precisam ser observadas e reavaliadas antes da definição da conduta médica.

Por isso, os profissionais defendem que uma eventual mudança no número de pediatras seja precedida por um estudo técnico que considere fatores como:

  • Volume de atendimentos;
  • Classificação de risco;
  • Gravidade dos pacientes;
  • Casos que precisam de observação;
  • Atendimentos de alta complexidade;
  • Casos de violência;
  • Tempo de atendimento;
  • Indicadores de segurança;

Os médicos também destacam que o HOB funciona como hospital-escola, recebendo residentes de sete hospitais e estudantes de cinco faculdades de Medicina. Segundo a manifestação, os plantonistas também são responsáveis pela orientação técnico-científica desses estudantes e residentes.

Prefeitura diz que atendimento está mantido

Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte informou que o Hospital Odilon Behrens mantém o atendimento de acordo com critérios técnicos e assistenciais e que a demanda é monitorada permanentemente.

Segundo o Executivo, a rede de urgência e emergência registra aumento da procura em determinados períodos do ano, principalmente durante a sazonalidade das doenças respiratórias. A Prefeitura afirma, porém, que esse aumento ocorre principalmente nos atendimentos de adultos no HOB.

Sobre a pediatria, a administração municipal informou que, entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026, período fora da sazonalidade, o hospital registrou média de 67 atendimentos pediátricos por dia pela porta de entrada. Na época, a escala tinha 10 pediatras por plantão de 12 horas, o que correspondia a uma média de 6,7 pacientes por pediatra em cada plantão.

Nos últimos meses, a demanda aumentou. Em maio, foram 2.546 atendimentos pediátricos, com média de 82 por dia. Em junho, foram 2.423, média de 81 por dia. Já em julho, foram 2.229 atendimentos, média de 74 por dia.

Apesar do aumento sazonal, a Prefeitura afirma que o hospital não registrou pressão assistencial que comprometesse os cuidados necessários aos pacientes.

Audiência acontece nesta quarta

A discussão sobre o número de pediatras será realizada pela Comissão de Saúde e Saneamento da Câmara Municipal de Belo Horizonte nesta quarta-feira (12), às 13h, no Plenário Helvécio Arantes.

O encontro poderá ser acompanhado presencialmente ou de forma remota pelos canais da Câmara.

A Prefeitura também informou que, na última quinta-feira (6), foi revogado o decreto que declarava situação de emergência em saúde pública devido ao aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Segundo o município, a decisão ocorreu após avaliação técnica apontar melhora sustentada dos indicadores epidemiológicos e assistenciais.

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.

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Rosiane Cunha integra desde 2024 a produção de jornalismo da Itatiaia. Com mais de 20 anos de experiência, teve passagens pela Rede Minas, TV Alterosa, Band, Globo, Hoje em Dia e Record. É formada em Jornalismo pela Newton Paiva e também graduada em Letras.

 

 

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