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Jacaré é visto mergulhado em pilha de lixo na Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte; veja vídeo

Animal foi flagrado por moradores que passavam pela orla da lagoa na manhã desta terça-feira (06); local é o principal ponto turístico da capital mineira e considerado um Patrimônio Cultural da Humanidade

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Jacaré é visto mergulhado em pilha de lixo na Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte; veja vídeo
Registro foi feito na manhã desta terça-feira (06). • Reprodução | Redes Sociais

Um jacaré foi flagrado por moradores imerso em meio a uma grande quantidade de lixo que boiava sobre as águas da Lagoa da Pampulha, o principal cartão postal de Belo Horizonte. As imagens, registradas na manhã desta terça-feira (6), mostram o animal cercado por uma água espessa e escura e diversos objetos descartados, principalmente garrafas plásticas. Confira o vídeo:

A reportagem da Itatiaia questionou a Prefeitura de Belo Horizonte sobre o monitoramento dos animais da Lagoa e as condições ambientais do local. Em nota, a gestão da cidade informou que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA) mantém um contrato de limpeza do espelho d'água para retirar resíduos flutuantes diariamente, inclusive aos fins de semana.

Segundo a prefeitura, o episódio de acúmulo na manhã desta terça-feira (06) pode ter sido agravado pelo descarte irregular de lixo no local. A PBH explica ainda que, durante o período chuvoso, a quantidade de resíduos que são transportados para a lagoa aumenta consideravelmente, sendo necessário um tempo maior de trabalho para a total coleta.

Em relação ao animal, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, por meio da Diretoria de Proteção ao Animal Silvestre, informa ainda que o jacaré-de-papo-amarelo é uma espécie nativa e naturalmente associada a ambientes aquáticos, sendo capaz de se adaptar e ocupar ambientes bastante modificados pela ação humana, inclusive áreas urbanizadas.

Confira o posicionamento completo da PBH

"A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA) mantém um contrato de limpeza do espelho d'água para retirar resíduos flutuantes diariamente, inclusive aos fins de semana. No entanto, ainda ocorre descarte irregular e, de forma isolada, em alguns lugares ficam concentrados pequenos volumes de flutuante, sendo coletados o mais breve possível. Importante mencionar que, no período chuvoso, a quantidade de resíduos que são transportados para a lagoa aumenta consideravelmente, sendo necessário um tempo maior de trabalho para a total coleta. A PBH está sempre atenta à conservação e manutenção da orla e espelho d'água da Lagoa da Pampulha.

Além disso, mesmo com os indicadores de qualidade da água dentro dos parâmetros de eutrofização compatíveis com a Classe 3 – que permite o uso para fins paisagísticos e navegação –, a Lagoa da Pampulha permanece sujeita a variações sazonais. Isso ocorre porque, como um lago urbano, ela é continuamente impactada por fatores externos, como a poluição difusa trazida pelas chuvas, possíveis vazamentos no sistema de esgotamento sanitário e lançamentos irregulares de efluentes. Essas condições podem provocar alterações pontuais e temporárias na qualidade da água, mas não comprometem o trabalho contínuo de recuperação e manutenção do espelho d’água.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente, por meio da Diretoria de Proteção ao Animal Silvestre, informa ainda que o jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris) é uma espécie nativa e naturalmente associada a ambientes aquáticos, incluindo lagoas, rios, brejos e áreas alagadas. A espécie apresenta grande capacidade de adaptação e pode ocupar ambientes bastante modificados pela ação humana, inclusive áreas urbanizadas.

Essa característica não é exclusiva da população da Lagoa da Pampulha. Há registros da espécie em diferentes centros urbanos brasileiros, inclusive em canais e corpos d’água submetidos a forte pressão antrópica. Levantamento realizado em cidades brasileiras entre 2016 e 2021 identificou o jacaré-de-papo-amarelo como a espécie de crocodiliano mais frequente nos registros em grandes centros urbanos das regiões Sudeste e Nordeste. No Rio de Janeiro, por exemplo, a espécie ocorre em canais e sistemas lagunares bastante urbanizados da Zona Oeste. Há inclusive registro oficial da Prefeitura do Rio da presença de jacarés-de-papo-amarelo no Canal das Taxas, no Recreio dos Bandeirantes, em trecho onde foi constatado lançamento de esgoto decorrente de vazamento em estação elevatória.

Portanto, a presença do animal no ponto registrado nas imagens não indica, por si só, uma situação anormal para a espécie ou a necessidade de retirada do indivíduo. Os jacarés utilizam diferentes trechos da Lagoa e das margens para deslocamento, alimentação, repouso e termorregulação.

Nesse sentido, o registro do jacaré reforça também a importância ambiental da Lagoa da Pampulha como habitat para diferentes espécies da fauna silvestre e a necessidade permanente das ações de conservação e melhoria da qualidade ambiental do reservatório.

A orientação à população permanece a mesma: não alimentar, não tentar tocar, capturar ou afugentar o animal e manter distância. Caso seja identificado algum indivíduo ferido, debilitado ou em situação de risco, a ocorrência pode ser comunicada aos canais oficiais da Prefeitura para avaliação da equipe responsável". 

Lagoa da Pampulha é Patrimônio da Humanidade

A Lagoa da Pampulha é o principal cartão-postal e um dos maiores símbolos de Belo Horizonte. Para cidade, ela representa um grande marco histórico, cultural e, principalmente, arquitetônico. Criada na década de 1930, iniciada na gestão de Otacílio Negrão de Lima, e inaugurada em 1943, na gestão de Juscelino Kubitschek, a lagoa foi inicialmente criada para controlar enchentes e abastecer a região. 

A orla ganhou edifícios projetados pelo arquiteto renomado Oscar Niemeyer, com paisagismo de Burle Marx e pinturas de Cândido Portinari. Entre os prédios mais famosos estão a Igreja de São Francisco de Assis, a Casa do Baile e o Museu de Arte da Pampulha. Em 2016, o conjunto arquitetônico da Pampulha recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade reconhecido pela UNESCO. 

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

 

 

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