Fhemig se posiciona após denúncia de bactérias na Maternidade Odete Valadares, em BH
Análise realizada pela própria fundação identificou presença de Pseudomonas aeruginosa e bactérias heterotróficas

Servidores da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) denunciaram a presença de bactérias na Maternidade Odete Valadares, no bairro Barro Preto, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. A contaminação foi confirmada pela própria instituição, que se posicionou em nota sobre o caso e afirmou ter criado um plano de ação após análise programada realizada em abril.
O relatório apontou para alterações nos parâmetros de qualidade da água e identificaram a presença de duas bactérias. Uma delas é a Pseudomonas aeruginosa, que costuma afetar principalmente pessoas com baixa imunidade e pode provocar infecções graves.
A outra é a bactéria heterotrófica, cuja presença pode indicar falhas no processo de desinfecção ou acúmulo de matéria orgânica no sistema de abastecimento.
A Fhemig negou a ocorrência de infecções hospitalares nos meses de abril e maio em razão da presença das bactérias. “A instituição segue acompanhando as análises da água, adotando as medidas necessárias para garantir a segurança assistencial de pacientes, acompanhantes e trabalhadores”, informou.
Ainda conforme a instituição, foi realizada a limpeza e desinfecção dos reservatórios e caixas d’água da unidade, além da execução das demais ações recomendadas no plano de ação. A Fhemig também promoveu treinamentos e orientações aos profissionais responsáveis pelos procedimentos de limpeza e desinfecção, com objetivo de garantir o cumprimento dos critérios técnicos e protocolos estabelecidos.
Situação grave', diz sindicato
A diretora do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde/MG), Neuza Freitas, classificou o caso como preocupante devido ao perfil da maternidade, referência em atendimentos de alto risco.
“Após ter acesso ao documento, o sindicato ficou extremamente preocupado pela gravidade da situação, ainda mais em uma maternidade que possui UTI neonatal”, declarou.
Segundo ela, o sindicato encaminhou ofícios para a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), Secretaria de Estado de Saúde e vigilâncias sanitárias municipal e estadual pedindo esclarecimentos e investigação do caso.
A entidade também cobra acesso aos laudos técnicos e quer saber se houve impacto em pacientes durante o período investigado.
“Se a Fhemig afirma que tomou providências, queremos acesso aos laudos e às medidas adotadas. Também pedimos apuração para verificar se houve mortes ou agravamentos relacionados a essa bactéria multirresistente”, disse.
Segundo o Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde/MG), os funcionários afirmam que não foram oficialmente comunicados pela direção da unidade sobre a situação.
De acordo com a diretora do sindicato, Neuza Freitas, a entidade teve acesso a um documento interno na última sexta-feira (16) e, após conversar com servidores, descobriu que muitos desconheciam o problema.
“Quando acontece algum tipo de contaminação ou presença de bactéria, normalmente os trabalhadores são os primeiros a serem informados para colocarem em prática protocolos de emergência. O que nos assustou foi justamente o fato de os trabalhadores relatarem que não sabiam de nada”, afirmou.
Servidores relatam medo e casos de diarreia
Uma servidora da maternidade, que preferiu não se identificar, afirmou que os funcionários foram surpreendidos pela informação divulgada pelo sindicato.
Segundo ela, essa não seria a primeira vez que a unidade enfrenta problemas semelhantes.
“A gestão do hospital já tinha conhecimento dessa contaminação e isso já aconteceu outras vezes, mas não foi divulgado entre os servidores”, afirmou.
A trabalhadora também relatou que alguns funcionários apresentaram sintomas após se alimentarem na unidade.
“Temos relatos de servidores que tiveram diarreia após a alimentação”, contou.
Ela explicou ainda que a água consumida pelos trabalhadores é fornecida em galões instalados nos bebedouros dos setores.
A Fhemig, por outro lado, negou a existência de registros de ocorrência referentes a sintomas gastrointestinais entre os servidores.
“A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) informa que segue rígidos protocolos sanitários e realiza monitoramento constante para garantir a qualidade da água em todas as unidades. A água de consumo dos pacientes e servidores é mineral”, afirmou.
Veja nota completa da Fhemig
A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) informa que segue rígidos protocolos sanitários e realiza monitoramento constante para garantir a qualidade da água em todas as unidades. A água de consumo dos pacientes e servidores é mineral.
Durante análise programada realizada em abril foi identificada presença de Pseudomonas aeruginosa e bactérias heterotróficas em alguns pontos da Maternidade Odete Valadares.
Entre as medidas adotadas, a Fundação realizou, imediatamente, a limpeza e desinfecção dos reservatórios e caixas d’água da unidade, além da execução das demais ações recomendadas no plano de ação.
Adicionalmente, foram promovidos treinamentos e orientações aos profissionais responsáveis pelos procedimentos de limpeza e desinfecção, visando garantir o cumprimento dos critérios técnicos e protocolos estabelecidos.
Não há registros de ocorrência referentes a sintomas gastrointestinais entre servidores. Também não houve infecções hospitalares nos meses de abril e maio, comprovando que não há impactos do ocorrido pontualmente.
A instituição segue acompanhando as análises da água, adotando as medidas necessárias para garantir a segurança assistencial de pacientes, acompanhantes e trabalhadores.
Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.


