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Presença de bactéria na água preocupa servidores da Maternidade Odete Valadares

Funcionários afirmam que não foram oficialmente comunicados pela direção da unidade sobre a situação; confira o que diz a Fhemig

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Maternidade Odedete Valadares • Reprodução

Servidores da Maternidade Odete Valadares, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, denunciam risco de contaminação da água e presença de bactérias na unidade. O caso gerou preocupação entre os trabalhadores, principalmente por se tratar de uma maternidade de alto risco com Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal.

Segundo o Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde/MG), os funcionários afirmam que não foram oficialmente comunicados pela direção da unidade sobre a situação.

De acordo com a diretora do sindicato, Neuza Freitas, a entidade teve acesso a um documento interno na última sexta-feira (16) e, após conversar com servidores, descobriu que muitos desconheciam o problema.

“Quando acontece algum tipo de contaminação ou presença de bactéria, normalmente os trabalhadores são os primeiros a serem informados para colocarem em prática protocolos de emergência. O que nos assustou foi justamente o fato de os trabalhadores relatarem que não sabiam de nada”, afirmou.

Os exames apontaram alterações nos parâmetros de qualidade da água e identificaram a presença de duas bactérias. Uma delas é a Pseudomonas aeruginosa, que costuma afetar principalmente pessoas com baixa imunidade e pode provocar infecções graves.

A outra é a bactéria heterotrófica, cuja presença pode indicar falhas no processo de desinfecção ou acúmulo de matéria orgânica no sistema de abastecimento.

'Situação grave', diz sindicato

Neuza classificou o caso como preocupante devido ao perfil da maternidade, referência em atendimentos de alto risco.

“Após ter acesso ao documento, o sindicato ficou extremamente preocupado pela gravidade da situação, ainda mais em uma maternidade que possui UTI neonatal”, declarou.

Segundo ela, o sindicato encaminhou ofícios para a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), Secretaria de Estado de Saúde e vigilâncias sanitárias municipal e estadual pedindo esclarecimentos e investigação do caso.

A entidade também cobra acesso aos laudos técnicos e quer saber se houve impacto em pacientes durante o período investigado.

“Se a Fhemig afirma que tomou providências, queremos acesso aos laudos e às medidas adotadas. Também pedimos apuração para verificar se houve mortes ou agravamentos relacionados a essa bactéria multirresistente”, disse.

Servidores relatam medo e casos de diarreia

Uma servidora da maternidade, que preferiu não se identificar, afirmou que os funcionários foram surpreendidos pela informação divulgada pelo sindicato.

Segundo ela, essa não seria a primeira vez que a unidade enfrenta problemas semelhantes.

“A gestão do hospital já tinha conhecimento dessa contaminação e isso já aconteceu outras vezes, mas não foi divulgado entre os servidores”, afirmou.

A trabalhadora também relatou que alguns funcionários apresentaram sintomas após se alimentarem na unidade.

“Temos relatos de servidores que tiveram diarreia após a alimentação”, contou.

Ela explicou ainda que a água consumida pelos trabalhadores é fornecida em galões instalados nos bebedouros dos setores.

Preocupação no CTI neonatal

Os relatos dos servidores também apontam preocupação com recém-nascidos internados no CTI neonatal.

Segundo a funcionária, alguns bebês estariam em isolamento devido à presença de bactéria na unidade.

“No CTI neonatal já existe isolamento por causa de uma bactéria. Os recém-nascidos, mães, acompanhantes e todos que usam a maternidade estão correndo risco, porque a contaminação estaria presente em diversos setores, inclusive no banco de leite”, disse.

Ela afirmou ainda que os trabalhadores estão apreensivos após tomarem conhecimento da situação.

“Agora que os servidores ficaram sabendo, todos estão muito preocupados, tanto com os pacientes quanto com a assistência prestada”, relatou.

O que diz a Fhemig

A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) informa que segue rígidos protocolos sanitários e realiza monitoramento constante para garantir a qualidade da água em todas as unidades. A água de consumo dos pacientes e servidores é mineral.

Durante análise programada realizada em abril foi identificada presença de Pseudomonas aeruginosa e bactérias heterotróficas em alguns pontos da Maternidade Odete Valadares.

Entre as medidas adotadas, a Fundação realizou, imediatamente, a limpeza e desinfecção dos reservatórios e caixas d’água da unidade, além da execução das demais ações recomendadas no plano de ação.

Adicionalmente, foram promovidos treinamentos e orientações aos profissionais responsáveis pelos procedimentos de limpeza e desinfecção, visando garantir o cumprimento dos critérios técnicos e protocolos estabelecidos.

Não há registros de ocorrência referentes a sintomas gastrointestinais entre servidores. Também não houve infecções hospitalares nos meses de abril e maio, comprovando que não há impactos do ocorrido pontualmente.

A instituição segue acompanhando as análises da água, adotando as medidas necessárias para garantir a segurança assistencial de pacientes, acompanhantes e trabalhadores.

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.