Estação centenária de Moeda é reinaugurada como novo espaço cultural

Restauração histórica custou cerca de R$ 2,8 milhões; abertura ocorre no mesmo dia em que cidade comemora 71 anos de emancipação

Restauração histórica de R$ 2,8 milhões revela pinturas ocultas, celebra 71 anos da cidade e resgata patrimônio ferroviário na região Central de Minas

A Estação Ferroviária de Moeda será reinaugurada na sexta-feira (12), mesmo dia em que a cidade comemora 71 anos de emancipação. Moradores e visitantes poderão acompanhar a devolução de um dos prédios mais antigos e simbólicos do município.

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Mais que uma obra finalizada, a reinauguração celebra a recuperação de um patrimônio ligado à história ferroviária de Minas Gerais. O espaço também passa a integrar as ações de turismo e cultura da região, marcada pela Serra da Moeda e por tradições locais. A programação terá cerimônia oficial, apresentações culturais do projeto Garoto Cidadão, homenagens e bênção ecumênica.

Construída em 1919, a estação foi totalmente revitalizada. O prédio, tombado desde 2006, recupera a aparência original. Elementos históricos foram preservados e o espaço ganhou infraestrutura adequada ao uso atual. Para o prefeito Décio Lapa, o restauro simboliza a ligação entre passado e futuro.

A estação agora conta com lanchonete, sanitários públicos e rampas de acessibilidade. Todos os elementos foram integrados ao estilo arquitetônico original. As áreas externas se transformaram em espaços de convivência, com bancos, mesas para jogos e locais para feiras de artesanato e agricultura familiar. O paisagismo recebeu árvores frutíferas e espécies nativas, criando sombra e acolhimento.

A intervenção também recuperou a escultura Maria da Fonte e o chafariz, considerados bens históricos da cidade. A Rua do Comércio, que acompanha a linha férrea, foi revitalizada com tintas e materiais fornecidos pela MRS. Moradias próximas receberam melhorias nas fachadas para preservar a ambiência da área histórica.

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Novas grades de proteção foram instaladas ao redor da estação. Elas aumentam a segurança, evitam o acesso irregular à ferrovia e ajudam a coibir o descarte inadequado de lixo.

Gilson Fernandes, diretor da Holofote Cultural e idealizador do projeto, destaca o impacto do restauro. Ele afirma que revitalizar o espaço é devolver à comunidade um patrimônio central da história de Moeda. Para ele, a obra reforça a identidade da cidade e torna o centro mais vivo e acolhedor.

A restauração custou R$ 2,8 milhões. Os recursos vieram da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O projeto contou com patrocínio da MRS Logística e apoio da Prefeitura de Moeda, da Holofote Cultural, da Invest Minas e do Conselho Municipal de Patrimônio. Para Laís Rodrigues, analista da MRS, o investimento fortalece a relação da empresa com a comunidade e mantém viva a história ferroviária.

Memória em camadas

O processo de restauração revelou detalhes escondidos sob camadas de tinta. Técnicos abriram pequenas janelas nas paredes internas para identificar cores antigas e pinturas originais. As prospecções encontraram uma pintura histórica e uma faixa decorativa no alto do salão.

Quatro janelas de prospecção foram mantidas expostas ao público. Elas estão protegidas por molduras e vidro e acompanhadas de textos explicativos. O trabalho incluiu a remoção de repinturas e a fixação da pintura original, além da reintegração das áreas preservadas.

As intervenções permitem que visitantes vejam a trajetória do prédio. O objetivo é mostrar a história da construção sem interferir no novo uso do espaço.

A integração entre patrimônio, cultura e comunidade orienta os próximos passos. A Secretaria de Cultura e Turismo já planeja criar um museu ou memorial dedicado à ferrovia e à história da cidade. Famílias foram convidadas a contribuir com objetos antigos para compor uma exposição especial na inauguração.

História, memória e turismo

A estação é uma peça importante da história ferroviária de Minas Gerais. Desde o início do século XX, o prédio acompanhou o transporte de pessoas e mercadorias pelo interior do estado. A estação testemunhou períodos de crescimento econômico e momentos do cotidiano de passageiros que dependiam da ferrovia.

Mesmo após a perda de protagonismo das linhas férreas a partir dos anos 1950, a memória ferroviária permanece viva. O trem e as estações continuam sendo símbolos da identidade regional e do pertencimento das comunidades.

Moeda, com pouco mais de 5 mil habitantes, também ganha impulso no turismo. A cidade está na Serra da Moeda, rota histórica de tropeiros. A região atrai visitantes interessados em esportes radicais, trilhas, voo livre, natureza e gastronomia típica. Entre os destaques estão produtos derivados do leite e as tradicionais quitandas mineiras.

Após a inauguração da estação, a expectativa é que o município amplie ou potencial turístico e cultural no coração de Minas Gerais.

(Sob supervisão de Alex Araújo)

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Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias de Educação e Saúde.

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