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Em meio à greve dos professores, secretária defende uso de OSCs na Educação de BH; entenda

Sindicato que representa os trabalhadores da educação na capital mineira tem posição contrária e alega defender a 'garantia de ampliação de professores' concursados e de Atendimento Educacional Especializado (AEE)

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Secretária de Educação da capital mineira, Natália Araújo • Reprodução l Gustavo Cícero/Itatiaia

Em meio à greve dos trabalhadores concursados da educação municipal de Belo Horizonte — que dura 23 dias — a secretária de Educação da capital mineira, Natália Araújo, defendeu o uso de Organizações da Sociedade Civil (OSCs) para a contratação de profissionais de apoio especializado. Por outro lado, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de BH (Sind-REDE/BH) tem uma posição contrária, alegando defender a "garantia de ampliação de professores" concursados e de Atendimento Educacional Especializado (AEE).

A secretária afirmou, em entrevista exclusiva ao Itatiaia Agora, que a decisão em manter o modelo de contratação a partir de OSCs é uma alternativa para "conseguir contratos menores, condições especializadas, com supervisores que vão monitrar dentro das escolas o cuidado das crianças". Para Araújo, as contratações são "sensíveis e não tem como fazê-las por meio de uma emprsa de conservação".

Antes dessa definição, as contratações de profisisonais de apoio especializado, responsáveis por auxiliar o Estudante Público-Alvo da Educação Especial (EPAEE), eram realizadas em parceria com uma empresa pública de conservação e asseio. Assim, os professores e trabalhadores terceirizados eram representados pela mesma entidade, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de BH (Sind-REDE/BH).

Mas, de acordo com Araújo, com a mudança de contrato, os profissionais de apoio especializados mudam de base sindical, visto que passam a ser do terceiro setor, composto por entidades privadas sem fins lucrativos que prestam serviços de interesse público e social. Para ela, o sindicato enxerga a alteração como algo negativo por acarretar em "uma diminuição da receita da arrecadação" da entidade.

A secretária de Educação destacou que a mudança de contrato contemplaria os 4.700 profissionais que já atuam na rede municipal, sem demissões. "É uma categoria muito específica e muito sensível, é uma profissão recém batizada pelo MEC [Ministério da Educação]", comentou.

O que diz o sindicato?

Por outro lado, o SindRede, que representa a classe, se diz contrário à mudança. "A elaboração do trabalho para atender esses estudantes tem que ser feito por professores concursados, pelo professor de Atendimento Educacional Especializado (AEE). A nossa defesa é de que tem que garantir a ampliação desses professores. E a responsabilidade pedagógica do planejamento da atividade com as crianças tem que ser de professores concursado. Essa é a discussão que nós estamos repetindo e a secretária de educação está negando", afirmou em nota enviada à Itatiaia.

A entidade também cobrou clareza sobre os processos que vão seleciar os profissionais após a entrada dos atuais trabalhadores de apoio que já estão nas escolas. "Como é que vai ser feito o processo de selação pela OSC destes profissionais? Tem que ser um processo publicizado que seja fiscalizável, com critérios claros e não pode ser indicação. Tem que ter um processo claro porque são profissionais que vão trabalhar nas escolas públicas e ser pagos com dinheiro público", escreveu.

O sindicato, por fim, afirmou que a entidade é quem representa legalmente todos os trabalhadores de educação da rede municipal de BH, inclusive os terceirizados. "O sindicato que eles [prefeitura] estão afirmando que será o novo responsável por esses trabalhadores entrou na Justiça contra o Sind-REDE para disputar essa base e perdeu".

"Somos um sindicato que vivemos só de contribuição de trabalhadores filiados. São trabalhadores rotativos que ganham muito pouco, então não faz diferença financeiramente. Com relação a ajudar na luga da categoria, sempre ajudamos. Mesmo antes de ter a representação legal. Isso não muda", finalizou.

Greve pode completar um mês

Em decisão unânime, professores da rede municipal de BH mantêm greve após assembleia • DIvulgação/ Sind-REDE/BH
Em decisão unânime, professores da rede municipal de BH mantêm greve após assembleia • DIvulgação/ Sind-REDE/BH

A paralisação pode completar um mês. A categoria dos trabalhadores concursados da educação municipal de BH deciciu pela continuidade da greve após uma assembleia na Praça Afonso Arinos, no Centro, na terça-feira (19).

Representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de BH (Sind-REDE/BH) afirmaram que as tratativas com a Prefeitura (PBH) e a Secretaria Municipal de Educação (Smed) não avançaram.

Um novo encontro da categoria será realizado nesta sexta-feira (22), às 14h, na Praça da Estação.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.