Em decisão unânime, professores da rede municipal de BH mantêm greve após assembleia
Encontro coordenado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de BH (Sind-REDE/BH) foi realizado nesta terça (19) na Praça Afonso Arinos

A categoria dos trabalhadores concursados da educação municipal de Belo Horizonte decidiu nesta terça-feira (19) pela continuidade da greve após uma assembleia realizada na Praça Afonso Arinos, no Centro. A decisão foi unânime.
Representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de BH (Sind-REDE/BH) afirmaram que as tratativas com a Prefeitura (PBH) e a Secretaria Municipal de Educação (Smed) não avançaram. A paralisação dura 22 dias.
“Não aceitaremos manobras. A PBH e a SMED não tem avançado nas tratativas com a categoria e na assembleia foi avaliado que, sim, a greve precisa continuar”, afirmou a Diretoria Colegiada do Sind-REDE/BH.
A assembleia terminou em um ato em frente à Prefeitura de Belo Horizonte. Um novo encontro da categoria será realizado nesta sexta-feira (22), às 14h, na Praça da Estação.
As reivindicações dos professores
Entre as principais reivindicações da classe está a recomposição salarial com base no piso nacional da educação, que gira em torno de 5,4%. Segundo os professores, a PBH tem sinalizado um reajuste que gira entorno de 3,5%, seguindo apenas a inflação.
Além disso, a classe pede também por melhores condições de trabalho. Os professores reclamam de falta de profissionais nas escolas, cortes de até 50% nas verbas, privatização do serviço do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e terceirização do trabalho docente na Educação Infantil.
Por meio de nota, a Prefeitura de Belo Horizonte afirmou que "não procede a afirmação de que a PBH não valoriza a educação". "A Prefeitura de Belo Horizonte reforça o respeito e valorização aos servidores da educação, sempre alinhados à responsabilidade fiscal e ao compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população", destacou.
Veja a nota na íntegra
"A Prefeitura de Belo Horizonte reforça o respeito e valorização aos servidores da educação, sempre alinhados à responsabilidade fiscal e ao compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população. A administração municipal anunciou nesta segunda-feira (18), em reunião com representantes do funcionalismo, proposta de reajuste geral de 4,11% para todos os servidores efetivos, retroativa a 1º de maio deste ano. Somado ao reajuste de 2,40% concedido em janeiro de 2026, o índice total chega a 6,61%. Após o encontro, a Prefeitura também se reuniu com o sindicato da educação para avançar nas pautas específicas da categoria.
A Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão informa que 100% dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) são aplicados na educação municipal. Atualmente, esses recursos custeiam cerca de 70% da folha de pagamento dos professores em sala de aula. Os outros 30% são complementados com recursos do Tesouro Municipal, que não são exclusivos da Educação.
Uma demonstração concreta desse compromisso é que um professor em início de carreira na PBH recebe vencimento básico 26,85% acima do piso nacional, considerando a carga de 22,5 horas.
A Constituição Federal determina a aplicação mínima de 25% das receitas provenientes de tributos e transferências constitucionais da União e do Estado na educação. A Prefeitura de Belo Horizonte ressalta que esse percentual é sempre cumprido.
Portanto, não procede a afirmação de que a PBH não valoriza a educação, uma vez que todos os recursos vinculados à área são integralmente aplicados no fortalecimento da educação pública municipal.
Desde 2025, a administração municipal vem adotando medidas concretas de valorização dos profissionais da educação, entre elas:
- criação da data-base para reajuste salarial;
- novas progressões por escolaridade (com ganhos de 5% a cada progressão, além do salário-base);
- aumento superior a 58% no vale-refeição;
- reajustes salariais para cargos administrativos;
- criação de benefício cultural para aposentados.
- Além disso, a PBH concedeu reajuste de 2,49% em 2025.
Atualmente, um professor que ingressa na rede municipal por concurso público recebe salário total de R$ 3.660 para carga de trabalho de 22,5 horas.
A administração municipal também nomeou 1.886 profissionais da educação entre 2025 e os primeiros meses de 2026, fortalecendo a rede municipal de ensino."
Repórter no portal da Itatiaia. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
