O escritor Fabrício Carpinejar publicou uma reflexão sobre a morte do influenciador
Maderite morreu em decorrência de um infarto fulminante na sexta-feira (6). Para Carpinejar, o influenciador convidava o público a viver intensamente. De acordo com o escritor, as sextas-feiras vão “ficar órfãs” sem o humor de Maderite.
“Esperávamos o meio-dia de sexta-feira para que ele nos incentivasse a encerrar o expediente. Soava como o apito do fim de semana, a sirene do recreio, o berrante para a cerveja, a licença para nos despedirmos do trabalho e chamarmos os amigos e a família”, escreveu.
Maderite acumulou mais de 2 milhões de seguidores apenas no Instagram e ganhou fama com um bordão relacionado à celebração da sexta-feira.
Carpinejar lamentou, ainda, a partida precoce do influenciador, logo em uma sexta-feira (veja o texto completo no fim da matéria).
“Só não precisava ser tão cedo, tão precoce, aos cinquenta anos, deixando o sábado e o domingo sem ponte, sem fundamento, soltos e perdidos, carentes de uma sexta-feira que jamais irá se repetir”, escreveu.
Morre Henrique Maderite
Henrique Maderite, de 50 anos, foi
Segundo a Polícia Militar (PMMG), o influenciador estava no “Haras Henrique Maderite”, localizado na Estrada Maracujá. A corporação foi chamada por uma rede de vizinhos. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o Corpo de Bombeiros (CBMMG) e a Polícia Civil (PCMG) também foram acionados.
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De acordo com informações da família,
Em nota enviada à Itatiaia, a PCMG informou que “aguarda a conclusão de laudo pericial e necroscópico para atestar as circunstâncias e a causa da morte”.
Nascido em Belo Horizonte,
Veja o texto completo:
“Ele nos convidava a viver intensamente. Só existia o presente, e o amanhã se mostrava incerto. Esperávamos o meio-dia de sexta-feira para que ele nos incentivasse a encerrar o expediente. Soava como o apito do fim de semana, a sirene do recreio, o berrante para a cerveja, a licença para nos despedirmos do trabalho e chamarmos os amigos e a família.
Seu bordão alegre nos inspirava a entender os nossos limites, a pôr de lado o que deu errado, a não insistir no que não tinha funcionado:
— Sexta-feira, papai. Pode olhar aí, meio-dia. Meu filho, quem fez, fez. Quem não fez, agora pra frente esquece, porque não faz mais — brincava.
Era o pretexto para largar a caneta, fechar o laptop, sair do e-mail.
Ele nos envolvia no poder mágico do pensamento, abrindo um portal do tempo para superar o passado e conquistar o futuro.
Invocava o sossego, o ócio do convívio, as pernas para o ar.
Havia uma amnésia do bem, perdoando as omissões e as lacunas das obrigações.
Tratava seus seguidores como seus bebês, numa rede que acumulava dois milhões de pessoas.
O empresário e influenciador mineiro Henrique Maderite partiu logo numa sexta-feira, 6 de fevereiro, de infarto. Esse dia ficará para sempre órfão de seu humor, de seu sarcasmo, de suas críticas ao governo, de suas trolagens com os mais próximos.
Ninguém mais brindará com a garrafa de long neck na câmera, num estalo seco que lembrava o de um coração disparado.
Tudo parece estranhamente premonitório. Será que seu inconsciente preparava o adeus? O destino acabou escolhendo o momento mais simbólico de Henrique.
Aconteceu em seu lugar predileto, junto dos cavalos que tanto amava e com os quais tanto conversava, na Ouro Preto em que buscava o refúgio do verde e a brisa das montanhas.
Só não precisava ser tão cedo, tão precoce, aos cinquenta anos, deixando o sábado e o domingo sem ponte, sem fundamento, soltos e perdidos, carentes de uma sexta-feira que jamais irá se repetir”