BH: sindicato decide por continuidade da greve de professores da rede municipal
A decisão foi tomada em assembleia realizada nesta quinta-feira (28) na Praça da Liberdade, Região Centro-Sul de BH, um dia após o movimento completar um mês

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-Rede) decidiu pela continuidade da greve. A decisão unânime foi tomada em assembleia realizada nesta quinta-feira (28) na Praça da Liberdade, Região Centro-Sul de BH, um dia após o movimento completar um mês.
"A decisão de manter o movimento reflete a indignação dos trabalhadores diante das recentes posturas da administração municipal. A categoria denuncia publicamente o corte de ponto dos trabalhadores grevistas e o posicionamento intransigente da Secretaria Municipal de Educação (SMED), que inviabilizou qualquer proposta de reposição dos dias parados", informou o sindicato em nota. Segundo a entidade, a pasta encerrou as negociações de maneira unilateral. A categoria também aprovou um novo calendário de mobilização. Confira:
- 29 de maio, 14h, porta da PBH;
- 30 e 31 de maio, campanhas com carro de som e panfletagem nas comunidades e bairros de Belo Horizonte;
- 1º de junho, 9h, local a definir, assembleia da categoria para avaliar o movimento e definir os próximos passos
"Os trabalhadores da educação seguem mobilizados em defesa da valorização da carreira, por transparência e pelo direito de retomar as negociações de forma justa e transparente", afirmou o Sind-Red. Em comunicado emitido dessa quarta-feira (27), a entidade afirmou que o Executivo municipal não tem avançado no diálogo sobre "pautas urgentes — como a terceirização via Organização da Sociedade Civil (OSCs) na educação infantil, a falta de professores nas escolas e a necessidade de repasses justos para as Caixas Escolares".
Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) afirmou que: "A Secretaria Municipal de Educação lamenta a decisão dos professores de manterem a greve e ressalta que já atendeu a todas as sete reivindicações prioritárias da categoria. Já foram realizadas várias reuniões com a categoria na tentativa de encerrar a paralisação que tantos transtornos causam para pais e alunos."
Segundo o Executivo municipal, nesta quinta-feira (28), 65 escolas mantiveram 100% das turmas com aulas normais, 240 funcionaram parcialmente e 8 fizeram greve geral. "Os números mostram que 70% das turmas tiveram aula normalmente na manhã desta quinta-feira. Em razão de a assembleia ter sido realizada pela manhã, a expectativa da SMED é que no período da tarde o percentual de turmas com aulas normais seja maior", informou a PBH.
Nessa quarta-feira (27), o Executivo municipal informou que 88 escolas da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte funcionaram normalmente. Ainda segundo a PBH, em outras 231 instituições, o atendimento aos estudantes foi parcial, mas com 73% das turmas tendo atividades. "Em relação à categoria, 69% dos professores não aderiram à greve. Apenas 7 escolas mantiveram as portas fechadas aos estudantes", informou.
A PBH afirmou ainda que, na segunda-feira (25), foi atendida a exigência da "possibilidade de os professores da educação infantil cumprirem o tempo de planejamento das aulas em casa, benefício estendido a todos, mesmo aqueles que atuam em apenas um turno". Segundo o sindicato, esse ponto concedido foi informado pela prefeitura por meio de e-mail, sem nova reunião.
"O ponto das OSCs segue sem ser discutido. A prefeitura não escolhe o que é importante para a categoria. Já que não há opção e as OSCs vão entrar, queremos normatizar a parceirização com transparência das verbas e critérios claros e públicos para a contratação", afirmou a professora da rede municipal e diretora do Sind-Rede BH, Carol Pasqualini.
Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.



