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Quem era Brenda Maia, paciente que morreu após denunciar falta de médicos em UPA da Grande BH

Mãe de uma menina de cinco anos, Brenda Larissa Maia, de 32 anos foi descrita como uma mulher 'amorosa e carinhosa'

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Brenda Larissa Maia, de 32 anos, morreu pouco tempo depois de gravar um vídeo denunciando a falta de médicos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Justinópolis • Imagem cedida à Itatiaia

Uma mulher amorosa e carinhosa com todos. Assim que Brenda Larissa Maia, de 32 anos, foi descrita pelo irmão dela, Hudson Maia. A mulher morreu nesse sábado (6), após buscar atendimento na UPA Justinópolis, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O caso repercutiu após Brenda publicar vídeos denunciando falta de médicos na unidade instantes antes do óbito.

O corpo dela foi enterrado na manhã desta terça-feira (9), no Cemitério Belo Vale, em Santa Luiza, também na Grande BH. Brenda era mãe de Cecília, uma menina de apenas cinco anos. Ela trabalhava como manicure e pedicure, mas também atuava em alguns trabalhos esporádicos como cabeleireira. Em entrevista à Itatiaia, o irmão dela, de 39 anos, destacou que Brenda sempre gostou de ajudar ao próximo:

"Lembro que às vezes pessoas que conheciam ela, passavam por algum momento de luto, ou dor, até necessidade, um hospital, ligava para Brenda: 'estou precisando que fique com meu pai, com meu irmão no hospital, você pode?'. Sem conhecer, muitas vezes deixava Cecília na casa da minha mãe, e ia cuidar das pessoas, com o maior amor do mundo", disse Hudson.

O irmão ainda comentou que Brenda tinha diagnóstico de fibromialgia, síndrome crônica caracterizada por dor generalizada no corpo, afetando músculos e articulações, e cardiopatia, termo que designa alteração na estrutura ou no funcionamento do coração.

Família contesta causa da morte

Hudson Maia explicou que a família de Brenda contratou um advogado para auxiliá-los a descobrir o que aconteceu com a mulher. Ele denuncia divergências, por exemplo, entre a causa da morte apontada no primeiro atestado de óbito — que seria embolia pulmonar — e o motivo informado posteriormente, em nota, pela administração municipal:

"No primeiro atestado de óbito dela, que o médico ia nos passar, ela estava embolia pulmonar. Ontem a prefeitura soltou uma nota informando que ela teve um parado cardiorrespiratório, e até então somente negligência, descaso e uma contradição muito grande. É o que a gente quer saber de verdade, o que aconteceu, por fatos", afirmou.

Mulher morre em UPA após denunciar falta de médicos

Brenda Larissa Maia, de 32 anos, morreu no dia 6 de junho, após buscar atendimento na UPA Justinópolis, em Ribeirão das Neves, na Grande BH. O caso ganhou repercussão após a paciente publicar vídeos denunciando a ausência de médicos na unidade pouco antes de morrer.

Familiares afirmam que Brenda pode ter sido vítima de negligência médica e cobram esclarecimentos sobre o atendimento prestado. A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) deve investigar as circunstâncias da morte.

O irmão dela, Hudson Maia informou que Brenda procurou atendimento na UPA se queixando de dores no peito e inchaço no corpo. A família afirma que a paciente tinha diagnóstico de fibromialgia e cardiopatia.

Hudson relatou que a mãe acompanhava Brenda no momento da internação e que a paciente chegou a receber oxigênio enquanto aguardava atendimento. Brenda começou a gravar vídeos denunciando a situação da unidade. Nas imagens, às quais a Itatiaia teve acesso, ela mostra corredores lotados, paredes desgastadas e consultórios vazios.

Segundo os familiares, Brenda saiu sozinha da área onde estava sendo atendida e percorreu corredores da UPA em busca de ajuda. No vídeo, ela chega a bater na porta de quatro consultórios diferentes, sem encontrar médicos, enfermeiros ou técnicos.

"Ela começou a filmar porque estava pedindo socorro. Entrou sala por sala e não tinha ninguém. Comentaram que os profissionais estavam em horário de descanso e que por isso não havia médicos mesmo com a UPA cheia", afirmou Hudson.

Ainda segundo Hudson Maia, houve uma confusão a respeito do atestado de óbito. Inicialmente, a informação recebida era de que Brenda teria sofrido uma embolia pulmonar. Porém, de acordo com pessoas que trabalham na unidade e conversaram com a família, Brenda teria passado mal e caído no corredor da UPA. A família afirma que recebeu versões diferentes ao longo do dia sobre a causa da morte.

Sobre o óbito, a Prefeitura de Ribeirão das Neves, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, afirmou, em nota, que lamenta profundamente o ocorrido e informou que determinou a apuração rigorosa do caso. Segundo o município, será realizado o levantamento de todas as informações necessárias para esclarecer as circunstâncias da morte.

Brenda Larissa Maia, de 32 anos, que morreu após buscar atendimento na UPA Justinópolis • Imagens cedidas à Itatiaia
Brenda Larissa Maia, de 32 anos, que morreu após buscar atendimento na UPA Justinópolis • Imagens cedidas à Itatiaia
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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.