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'Demora e negligência', diz paciente sobre UPA onde mulher morreu após filmar falta de médicos

Joacir Pereira Cramer buscou assistência médica dias antes da tragédia e alega que mesmo sendo o único paciente aguardando esperou três horas até ser atendido

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UPA Justinópolis, na Grande BH
UPA Justinópolis, na Grande BH • Reprodução / Google Street View

Mais um paciente denuncia situações de demora e de negligência no atendimento na UPA Justinópolis, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O vendedor Joacir Pereira Cramer, de 41 anos, foi até a unidade de saúde na última semana, enquanto sentia dores abdominais e alega que mesmo sendo o único paciente a ser atendido, esperou três horas até a assistência médica.

O local é o mesmo onde Brena Larissa Maia, de 32 anos, morreu nesse sábado (6), após buscar atendimento. O caso ganhou repercussão após a paciente publicar vídeos denunciados a ausência de médicos na unidade, pouco tempo antes do óbito.

Para a Itatiaia, Joacir disse que esteve na unidade de saúde na noite de quinta-feira (4), com sintomas de dores abdominais. "Cheguei para ser atendido e não tinha ninguém na minha frente, minha ficha era a próxima", contou. Porém, ao reclamar da demora no atendimento, ele revelou ter sido orientado por profissionais da saúde que poderia ser atendido em até duas horas, visto a ficha tinha a classificação "verde", que significa não ser emergência.

"Custei a esperar, mas com muita dor esperei. Nesse período passou duas horas, fui reclamar com a enfermeira e ela disse: 'você pode voltar que, em duas horas, eu vou te atender. Não tem médico, não tem como te atender agora'. Só depois de três horas eles me atenderam", relatou Joacir.

Após o atendimento, o paciente apontou que recebeu medicação por 40 minutos e foi liberado. "Era só aplicar o remédio, a UPA estava vazia. É negligência mesmo", afirmou ele, lamentando a morte de Brenda. "Infelizmente essa moça morreu. Ela veio no sábado, reclamou a mesma coisa e falaram a mesma coisa que disseram para mim. Tem que vir e reclamar, porque eles não fazem nada", acrescentou.

Medo de ir à UPA Justinópolis

Durante o relato, Joacir alegou ter medo de ir à UPA Justinópolis que, segundo ele, é conhecida pela demora no atendimento e ausência de profissionais. Porém, o homem de 41 anos foi até a unidade de saúde por ser próxima a residência em que mora.

"Fiquei até com medo de vir, mas estava sentindo tanta dor e era a UPA mais perto da minha casa. Até pensei em ir na UPA Venda Nova, que é de Belo Horizonte, mas não aguentei", disse. "Já imagina que ia passar por isso, mas não dessa maneira. Três horas e meia para ser atendido, sendo que não tinha ninguém na minha frente? Se estivesse cheio, se fosse uma emergência, tudo bem. Mas não tinha nada", acrescentou Joacir.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Ribeirão das Neves, buscando esclarecimentos sobre a quantidade de profissionais que trabalham na UPA Justinópolis e a demora no atendimento, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.

Mulher morre em UPA após denunciar falta de médicos

Brenda Larissa Maia, de 32 anos, morreu nesse sábado (6), após buscar atendimento na UPA Justinópolis, em Ribeirão das Neves, na Grande BH. O caso ganhou repercussão após a paciente publicar vídeos denunciando a ausência de médicos na unidade pouco antes de morrer.

Familiares afirmam que Brenda pode ter sido vítima de negligência médica e cobram esclarecimentos sobre o atendimento prestado. A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) deve investigar as circunstâncias da morte.

O irmão dela, Hudson Maia informou que Brenda procurou atendimento na UPA nesse sábado (6), se queixando de dores no peito e inchaço no corpo. A família afirma que a paciente tinha diagnóstico de fibromialgia e cardiopatia.

Hudson relatou que a mãe acompanhava Brenda no momento da internação e que a paciente chegou a receber oxigênio enquanto aguardava atendimento. Brenda começou a gravar vídeos denunciando a situação da unidade. Nas imagens, às quais a Itatiaia teve acesso, ela mostra corredores lotados, paredes desgastadas e consultórios vazios.

Segundo os familiares, Brenda saiu sozinha da área onde estava sendo atendida e percorreu corredores da UPA em busca de ajuda. No vídeo, ela chega a bater na porta de quatro consultórios diferentes, sem encontrar médicos, enfermeiros ou técnicos.

"Ela começou a filmar porque estava pedindo socorro. Entrou sala por sala e não tinha ninguém. Comentaram que os profissionais estavam em horário de descanso e que por isso não havia médicos mesmo com a UPA cheia", afirmou Hudson.

Ainda segundo Hudson Maia, houve uma confusão a respeito do atestado de óbito. Inicialmente, a informação recebida era de que Brenda teria sofrido uma embolia pulmonar. Porém, de acordo com pessoas que trabalham na unidade e conversaram com a família, Brenda teria passado mal e caído no corredor da UPA. A família afirma que recebeu versões diferentes ao longo do dia sobre a causa da morte.

Sobre o óbito, a Prefeitura de Ribeirão das Neves, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, afirmou, em nota, que lamenta profundamente o ocorrido e informou que determinou a apuração rigorosa do caso. Segundo o município, será realizado o levantamento de todas as informações necessárias para esclarecer as circunstâncias da morte.

Brenda Larissa Maia, de 32 anos, que morreu após buscar atendimento na UPA Justinópolis • Imagens cedidas à Itatiaia
Brenda Larissa Maia, de 32 anos, que morreu após buscar atendimento na UPA Justinópolis • Imagens cedidas à Itatiaia
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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.