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Padre de Osasco (SP) é um dos 37 indiciados em inquérito da PF sobre tentativa de golpe

Sacerdote José Eduardo de Oliveira é citado como integrante do núcleo jurídico do esquema

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Padre José Eduardo é apontado pela Polícia Federal como integrante do ’núcleo jurídico’ da organização criminosa criada para dar golpe de Estado • Reprodução | Instagram

José Eduardo de Oliveira e Silva, padre da Diocese de Osasco, na Grande São Paulo, é um dos 37 indiciados pela Polícia Federal, nesta quinta-feira (21), no inquérito sobre a tentativa de golpe de Estado. O religioso é citado como integrante do núcleo jurídico do esquema.

O padre José Eduardo já havia sido alvo, em fevereiro deste ano, da operação Tempus Veritatis, da PF. A ação cumpriu 33 mandados de busca e apreensão e quatro de prisão preventiva contra pessoas acusadas de participação na elaboração da tentativa de golpe de estado no Brasil, em janeiro do ano passado.

De acordo com o ministro do STF Alexandre de Moraes, o núcleo jurídico, do qual o padre participava, assessorava os membros do suposto plano de golpe de estado na elaboração de minutas de decretos com fundamentação jurídica e doutrinária que atendessem aos interesses golpistas.

Segundo a PF, o padre supostamente participou de uma reunião no dia 19 de novembro de 2022, com Filipe Martins e Amauri Feres Saad, outros dois indiciados, como indicam os controles de entrada e saída do Palácio do Planalto.

O encontro fazia parte de uma série de discussões convocadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para "tratativas com militares de alta patente sobre a instalação de um regime de exceção constitucional."

Em nota enviada à Itatiaia, o advogado Miguel Vidigal, que defende o Padre José Eduardo, informou que “ainda não teve qualquer relatório disponível”, que tem apenas “uma nota da Polícia Federal com alguns nomes indiciados”. Destacou que em “menos de 7 dias depois de dar depoimento à Polícia Federal, seu cliente vê seu nome estampado como um dos indiciados pelos investigadores”.

Em fevereiro, por meio de nota, o padre negou que tenha participado de qualquer conspiração contra a Constituição Brasileira. Segundo José Eduardo, como sacerdote católico "é chamado para auxílio espiritual não apenas dos frequentadores de sua paróquia, mas também de todos aqueles que espontaneamente o procuram com assuntos dos mais variados temas".

Padre José Eduardo de Oliveira e Silva

Integrante da ala conservadora da Igreja Católica, o padre comemora 18 anos de sacerdócio em 2024. É o vigário oficial da Paróquia São Domingos, no bairro de Umuarama, em Osasco, na Grande São Paulo. É Doutor em Teologia Moral pela Pontifícia Universidade da Santa Cruz, de Roma, na Itália. O religioso é conhecido nas redes sociais por gravar vídeos no Youtube discutindo guerra cultural, aborto e a influência ruim das músicas e ‘divas pop’ na vida de crianças e adolescentes.

Nota na íntegra da defesa do Padre José Eduardo

“Ainda não temos qualquer relatório disponível. Temos uma nota da Polícia Federal com alguns nomes indiciados. Menos de 7 dias depois de dar depoimento à Polícia Federal, meu cliente vê seu nome estampado pela Polícia Federal como um dos indiciados pelos investigadores. Os mesmos investigadores não se furtaram em romper a lei e tratado internacional ao vasculhar conversas e direções espirituais que possuem garantia de sigilo e foram realizadas pelo padre. Quem deu autorização à Polícia Federal de romper o sigilo das investigações? Até onde se sabe, o Ministro Alexandre de Moraes decretou sigilo absoluto. Não há qualquer decisão do magistrado até o momento rompendo tal determinação. A nota da Polícia Federal com a lista de indiciados é mais um abuso realizado pelos responsáveis da investigação e, tendo publicado no site oficial do órgão policial, contamina toda instituição e a torna responsável pela quebra da determinação do Ministro. Aguardamos o acesso ao relatório”.

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    Yuri Cavalieri é jornalista e pós-graduado em política e relações internacionais. Tem mais de 13 anos de experiência em rádio e televisão. É correspondente da Itatiaia em São Paulo. Formado pela Universidade São Judas Tadeu, na capital paulista, começou a carreira na Rádio Bandeirantes, empresa na qual ficou por mais de 8 anos como editor, repórter e apresentador. Ainda no rádio, trabalhou durante 2 anos na CBN, como apurador e repórter. Na TV, passou pela Band duas vezes. Primeiro, como coordenador de Rede para os principais telejornais da emissora, como Jornal da Band, Brasil Urgente e Bora Brasil, e repórter para o Primeiro Jornal. Em sua segunda passagem trabalhou no núcleo de séries e reportagens especiais do Jornal da Band.