Justiça Militar mantém prisão domiciliar de oficial, mas impõe uso de tornozeleira eletrônica
Oficial foi condenado a 5 anos, 7 meses e 15 dias de reclusão por peculato em continuidade delitiva

O Superior Tribunal Militar (STM) decidiu, de forma unânime, impor o uso de monitoramento eletrônico a um major do Exército do Brasil, condenado por peculato em continuidade delitiva a 5 anos, 7 meses e 15 dias de reclusão.
O peculato em continuidade delitiva acontece quando o funcionário público comete dois ou mais crimes de peculato — crime contra a administração pública — da mesma espécie, em condições semelhantes de tempo, lugar e maneira de execução. Nesses casos, os crimes subsequentes são considerados continuação do primeiro.
De acordo com o STM, o militar já havia obtido, na primeira instância da Justiça Militar da União, autorização para cumprir a pena em prisão domiciliar devido a problemas graves de saúde, mas sem o uso de tornozeleira eletrônica.
O caso chegou ao STM após recurso apresentado pelo Ministério Público Militar contra decisão da 1ª Auditoria da 11ª Circunscrição Judiciária Militar, em Brasília.
A defesa do major sustentou que o quadro psiquiátrico do condenado justificava a flexibilização do cumprimento da pena, argumento acolhido inicialmente pela juíza responsável pela execução penal. De acordo com o magistrado, havia risco de agravamento do estado clínico do militar, já debilitado.
Porém, apesar de manter a prisão domiciliar por razões humanitárias, o STM reformou parcialmente a decisão para determinar a instalação de tornozeleira eletrônica ou equipamento equivalente.
O relator do processo, ministro Lourival Carvalho Silva, afirmou que o benefício da prisão domiciliar não elimina o dever estatal de fiscalização da execução penal. Silva observou, contudo, que a concessão de prisão domiciliar sem fiscalização tecnológica exigiria um comportamento cooperativo do condenado, o que, segundo os autos, não ocorreu no caso concreto.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



