Criança de 10 anos resgatada em Goiânia gritava por socorro e fazia necessidades em garrafa
Trancada pela mãe para trabalhar, criança gritava por socorro pela janela e foi internada na UTI

A criança de 10 anos que foi resgatada em Goiânia, em Goiás, gritava por socorro e fazia as necessidades em uma garrafa. Um vídeo divulgado mostra o momento em que o menino conversava com conselheiros tutelares pela janela e detalhava a situação em que vivia. Ele foi resgatado na última quinta-feira (9), em um prédio no Setor Faiçalville.
Ao G1, a vendedora Loiana Kelly Brito contou que ameaçou chamar o Conselho Tutelar para a mãe da criança ao vê-la agredindo o filho. Além disso, ela compartilhou que chegou a ouvi-lo gritando por socorro em várias ocasiões.
"Tinha uma outra mulher que morava aqui, que disse que já tinha ligado para o Conselho Tutelar porque já havia escutado várias vezes ele gritando por socorro, sozinho da janela. Ela ajudou até ele a se alimentar, porque ele ficava aqui sozinho", disse.
Por outro lado, o síndico Carlos Eduardo Freitas afirmou presenciar o menino conversando com outras crianças pela janela. "À tarde, as crianças saem para brincar e ele fica interagindo com elas. É triste, machuca a gente", comentou.
O menino contou a um conselheiro tutelar que ficava trancado enquanto a mãe ia trabalhar à noite. Ele relatou, ao vê-lo, que havia comido "umas bolachinhas" naquele dia, em vez de ter almoçado, e pediu água.
A garrafa com água foi entregue pelos conselheiros à criança em uma sacola plástica amarrada a lençóis. O Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar foram ao local para retirar o menino do imóvel, que foi encontrado totalmente sujo.
No cômodo onde a criança estava, havia apenas um colchão, brinquedos e uma garrafa usada para as necessidades. Ele disse, após o resgate, que esperava "ter uma vida melhor" e que gostaria de morar com o pai.
Mãe foi presa em flagrante
A mãe, que foi presa em flagrante, disse à polícia que deixava a criança trancada para trabalhar à noite pois ela tem diabetes e, caso comesse excessivamente, poderia passar mal.
Ao G1, o conselheiro José Roberto contou que o menino estava debilitado e, por isso, foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad). "A diabetes estava toda desregulada, com a glicemia acima de 500. Ele segue na UTI e vai continuar, sem previsão de alta", disse.
O delegado Eduardo Carrara relatou que a criança não tinha acesso a alimentos nem a um banheiro para fazer as necessidades fisiológicas. "Sem falar que havia canetas de insulina, o que é muito perigoso para uma criança administrar sozinha", ressaltou.
A Rádio de Minas. Tudo sobre o futebol mineiro, política, economia e informações de todo o Estado. A Itatiaia dá notícia de tudo.


